Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados, escreve semanalmente no LUX24.

Por todo o Reino Unido é comum encontrar-se o Monograma real, constituído por uma coroa e as letras E II R que significam Elizabeth II Regina. É bem visível nos marcos do correio ou em edifícios públicos, por exemplo.

A partir de agora esse monograma terá que ser substituído pelas iniciais do novo rei, ou seja C III R, Charles III Rex. Ou seja, mais uma demonstração que a monarquia britânica ainda vive muito do passado, enquanto eles ainda vão no CR3, Portugal já vai no CR7.

E aposto que o CR português é bem melhor no seu desporto do que o CR britânico, que foi um jogador mediano de pólo, pesca ao salmão e caça à raposa.

Foi no primeiro que mais se destacou, um desporto inferior ao golfe e ao passat na escala de Volkswagen modificada. Não conheço este último desporto, mas deve ser interessante para nobreza, famílias reais e membros da Iniciativa Liberal.

Apesar disso, o início de reinado de Carlos III tem sido injustamente atribulado. Tudo porque o senhor tem alguma dificuldade em lidar com canetas e coisas em cima de secretárias.

Todos nós temos, mas a nossa profissão não consiste em assinar livros de visita em todos os sítios em que comemos e dormimos à borla.

Para quem tem uma profissão dessas e os dedos com a grossura de salsichas do Chimarrão, o problema pode afetar seriamente a saúde mental, sobretudo quando acontece em público. Não acredito que Carlos III reaja assim na sua vida privada, por exemplo, quando o seu funcionário lhe põe a pasta de dentes nos pêlos da escova e fique lá mais do que o tamanho de uma ervilha.

Estas mudanças no trono são importantes para trazer um novo ânimo a vários países. O Reino Unido, o Canadá, a Austrália e mais alguns precisavam de ar fresco que só uma pessoa jovem com 73 anos pode trazer. Uma nova geração com novas preocupações, como por exemplo, o ambiente.

Ainda me lembro dos documentários que vi em que o então Príncipe de Gales e Duque da Cornualha voava de helicóptero de Londres para as suas propriedades para demonstrar que as suas vedações deixavam passar texugos. E, apesar de ser um amante da caça à raposa, Carlos III nunca mais praticou este desporto quando foi proibido. Uma injustiça, diga-se.

Era um desporto em que não era disparado um único tiro, sendo as raposas caçadas simplesmente pela dentição de cães.

Tal como acontece na caça à raposa as críticas à monarquia acabam por ser bastante injustas e baseadas em mitos que não correspondem à verdade. Por exemplo: sabiam que a família real britânica não recebe um único penny dos contribuintes?

Isto porque o dinheiro e as terras que angariou ao longo de muitos séculos é suficiente para agora viverem à custa disso, arrendando propriedades a milhares de pessoas, de pequenos agricultores a oligarcas russos e investindo em vários ativos, do petróleo aos cisnes do Tamisa.

Claro que tantos sacrifícios por reinar também permite ter uns ligeiros benefícios, como segurança paga pelos contribuintes e benefícios fiscais que permitem que o rei não pague os habituais 40% de impostos sucessórios quando herdou uns ligeiros milhares de milhões de libras da sua mãe.

É certo que existe ainda uma certa antropofagia dos contribuintes, mas já não é como no feudalismo. As coisas estão melhores e, no fundo, a maioria até é a favor da monarquia.

E eu com dois feriados extra este ano até a apoio durante esses dias. Mas depois passa-me.

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