Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados, escreve semanalmente no LUX24.

Parece que aqui a chefe de estado do Reino Unido tinha um aniversário qualquer (sobre isso prometo falar na próxima crónica) e por causa disso tivemos quatro dias seguidos de folga (feriado e fim-de-semana).

Por essa razão fomos à Islândia, um país remoto, maior do que Portugal em área mas com a mesma população que o concelho de Vila Nova de Gaia.

Ao contrário do que possa parecer pela distância, a Islândia é um país em que qualquer português se sente em casa. Quando entramos em Húsavik parece que estamos a entrar numa mercearia tradicional daquelas que tem os bacalhaus pendurados à porta.

O cheiro a peixe salgado é exatamente igual, mas em vez de se subjugar às quatro paredes do estabelecimento comercial, o perfume do nosso velho amigo percorre ruas e fiordes de mil e uma maneiras. Se Quim Barreiros vivesse na Islândia não precisaria de ir à cozinha, bastava abrir a janela que a música ficava logo feita.

Não vi nenhum islandês preocupado com o cheiro, até porque não vi muitos islandeses. Bem, em termos de islandeses humanos, porque cavalos islandeses e ovelhas islandesas vi muitos.

Não é surpreendente, tendo em conta a baixa densidade populacional. Os poucos que conheci faziam lembrar o próprio país, que no mapa é curto e grosso e com a dureza da rocha vulcânica.

Tivemos a oportunidade de conhecer um pouco da cultura e das sagas literárias. Histórias que fazem qualquer faca e qualquer alguidar corar de vergonha.

Afinal de contas, estamos a falar de um país que ainda caça baleias e “colhe” focas (como eles eufemisticamente dizem). Um país que tem uma culinária baseada no apodrecimento de peixe e em cabeças de carneiro revela uma frieza glacial.

Mas, tal como os glaciares vão encolhendo 300 metros por ano, fruto das alterações climáticas, também a frieza vai diminuindo com a chegada de imigrantes ao país.
Passámos lá oito dias, conduzindo uma carrinha daquelas brancas comerciais que andam sempre cheias de pressa nas cidades portuguesas.

Uma carrinha que servia de meio de transporte, casa e sala de jantar (não, não usámos como casa de banho). Alguém disse que era uma aventura, mas passar oito dias no país que está em segundo lugar mundial em termos de desenvolvimento humano não deve ser considerado uma aventura.

Aventura vem a seguir, quando se procura vender um rim no mercado negro para pagar as férias.

Mas de qualquer forma aconselho, apesar de ser uma ilha enorme, é possível visitá-lo toda num único dia, nesta altura do ano.

No nosso caso um dia que durou quase 240 horas, mas por lá continuará durante mais dois meses.

Publicidade
Falhas, erros, imprecisões, sugestões?
Por favor fale connosco.
Publicidade