Domingos Silva, Economista e professor universitário, escreve mensalmente no LUX24

Que Portugal integra a Europa desde 1986, exactamente há 35 anos, ninguém duvida.

Que Portugal já assumiu a Responsabilidade de ser Presidente da Europa por apenas quatro vezes (1992, 2000, 2007 e 2021) também é verdade.

São quatro semestres, sendo sempre o primeiro semestre com excepção de 2007 em que foi o segundo semestre, e sendo que nas duas mais recentes assumpções sempre a seguir à Alemanha.

E se da terceira para a quarta vez, em sequência do aumento de número de países que integram a União Europeia o interregno foi de 14 anos, desta feita da quarta para a quinta vez, se se mantiver o número de países integrantes, então só lá para 2035 é que Portugal voltará a sê-lo.

E na próxima vez aí por 2035, Portugal estará a viver o ano 50 da integração na Europa.

E a pergunta naturalmente surge: para onde vamos, Europa, Portugal e todos os demais países integrantes nestes próximos 15 anos?

Será que temos a noção que algumas diferenças entre integrantes se aprofundaram, e há países que estão muitos distantes das médias europeias, por baixo, claro que é o que mais releva, até pela influência que exercem na redução do valor médio?

Continuar-se-á a assistir à dança de posicionamentos dos países da metade inferior do posicionamento dos Países pelos vários critérios em que a União haja que ser encarada, trabalhada, construída, sonhada e desejada?

A metade inferior dos posicionamentos manterá intacto o conjunto de países que hoje a integra?

Que é preciso fazer, em todos esses países da segunda metade para que eles passem a contribuir para a elevação das médias e deixem de apenas continuar a pressionar as médias para baixo?

E nesse contexto que papel cabe a Portugal?

Portugal continuará a ser um igual apenas em matéria de custos, mas em tudo o que for proveitos manter-se-á nas várias caudas?

A Política salarial de inferioridade autossustentada vai desaparecer, ou vai continuar a ser a “recompensa” para as “invocadas” baixas produtividades, com a manutenção persistente e doentia de total ausência de estímulos através de incrementos remuneratórios que devolvam a esperança e o futuro aos que teimando em continuar a sonhar em pugnar por serem “mais e melhor profissionais” são, continuadamente estimulados a concluir da absoluta inutilidade da luta?

As produtividades só podem ser comparadas para iguais conteúdos, iguais tempos, iguais produções e iguais remunerações.

A haver uma só destas componentes que seja diferente, toda a comparabilidade entre as demais carecerá, sempre, de significado. Poderá continuar a tudo, mas uma só diferença – a da remuneração absoluta – garantia a continuidade de inexistência de ter tudo menos comparação.

Há, pois, que fazer desde já, a actualização cíclica de todas as profissões, porque a Escola nunca deu a sabedoria total, definitiva, científica, inalterável.

Há que devolver a todas as gerações o entusiamo pela alegria de aprender, para evitar a realidade do soneto de Bocage que acaba implorando “que saiba morrer o que viver não soube”.

É preciso devolver o futuro a todos, e a certeza de quem semeia colhe. E que vale a pena aprender sempre.

Há muito que a Escola deixou de alimentar sonhos de melhoria. Em toda a Europa. Aprenda-se a ser Mais e Melhor Europa que esta como está não faz adivinhar nada de prometedor. A não ser a existência de muitos problemas para qualquer solução.

E quando em 2040 a Europa quiser ter que as Mensalidades da Aposentadoria dos seus cidadãos ocorram bem mais tarde E sejam em valor inferior, todos os Europeus gritarão a atestar a ineficácia do que os que hoje governam andam a imaginar conceber para malparir.

E até esse 2040, Portugal só será, por um semestre Um Presidente da Europa, tipo “faz de conta”.

Que Deus nos dê melhor sorte. Não me forcem a ser um Velho do Restelo. O meu Sonho é mesmo ser só um mero Idoso do Restelo.

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