Miguel Silva, psicólogo, escreve semanalmente às terças no LUX24

O termo suicídio aplica-se quando uma pessoa pretende causar voluntariamente a própria morte, ou seja, pôr termo à própria vida.

Os estudos indicam que dos indivíduos que cometem o suicídio sabe-se que são tendencialmente mais velhos, do sexo masculino, sendo a taxa de suicídio das mulheres excedida pela dos homens, numa proporção de 4 para 1 de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 2013). De um modo geral, associa-se a este facto, à tendência dos homens para usar meios efetivamente mais letais.

Assim, a OMS refere algumas variáveis comportamentais associadas ao risco de suicídio, a saber:

  • Menores níveis educativos;
  • Solteiros (e.g., nunca casados, divorciados e viúvos);
  • Perturbação mental (e.g., 90% das pessoas que morrem por suicídio têm uma doença mental diagnosticada no momento da sua morte).

Portanto, nos indivíduos com ideação suicida, a probabilidade de desenvolver um plano e de o pôr em prática é maior durante o primeiro ano em que esta se inicia. Paralelamente, associadas ao comportamento suicidário encontram-se associadas a perturbação de controlo de impulsos e a perturbação do humor (nomeadamente a depressão) (Baptista & Neto, 2019).

A depressão, quando associada a um desânimo aprendido, sintomas neurovegetativos severos ou sintomas psicóticos representa um risco particularmente elevado. De igual modo, a ansiedade, ou uso de substâncias, também contribui para um risco elevado de suicídio.

A vida está cheia de tabus e o suicídio é só mais um. A dor de viver com uma dor psicológica, torna-se cada vez mais intensa devido à falta de intervenção.

Então, quando falo em intervenção refiro-me à importância da educação sobre, por exemplo, as emoções. Outro tabu que carece de educação é a morte. “Quando existe um falecimento numa família, escondemos isso das crianças, em vez de dizer que a pessoa morreu. Apesar de ser um fenómeno natural, nós dizemos que a pessoa está “numa estrelinha” – algo que não tem lógica absolutamente nenhuma. Pela estruturação da personalidade, essa criança ao atingir o estado adulto irá continuar a rejeitar os problemas relacionados com a morte” (Costa,2018).

Com efeito, o suicídio ocupa a 14.ª posição como causa de morte em todo o mundo, representando 1.5% de todas as mortes, variando as taxas de suicídio significativamente entre países e entre regiões. Números que dão que pensar, concorda?

Para finalizar, quero endereçar os meus sentimentos a todas as famílias que estejam ou estiveram perante situações desta natureza. Um psicólogo pode ajudar. Procure ajuda!

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