Miguel Silva, psicólogo, escreve semanalmente às terças no LUX24

O sonho é uma experiência consciente que ocorre durante o sono e que é passível de permanecer em memória depois da pessoa acordar.

Do ponto de vista cognitivo, o sonho abrange elementos de experiência sensorial, motora e raciocínio que simulam uma experiência consciente vígil. Os sonhos ocorrem maioritariamente na fase REM (rapid eye movements) do sono.

Esta fase surge quando o cérebro se torna muito ativo, surgem movimentos rápidos dos olhos e a pessoa perde o tónus muscular. Quando ocorrem noutras fases, existem algumas diferenças nos sonhos nomeadamente têm menos caráter imagético e são mais centrados em pensamentos e emoções (Baptista & Neto, 2019).

Sabia que, é possível ter quatro sonhos por noite e esquecer-se de grande parte se acordar fora da fase REM? É verdade, é possível! Isto deve-se ao facto de o sonho permanecer poucos segundos na memória depois de uma pessoa acordar.

Interessante, não acha?

Ainda mais interessante são as particularidades que encontramos nos sonhos. Peço a vossa atenção para as seguintes particularidades:

1. Ausência de noção que a pessoa está a dormir: A ciência diz-nos que as descontinuidades que existem na narrativa, frequentes no sonho, como chegar imediatamente ao local, são integradas automaticamente.

2. Sentir emoções fortes enquanto está a dormir: Alegria é uma emoção. Tristeza é uma emoção. Já experienciou estas emoções ao longo dos seus sonhos? O sono e o sonho estão intimamente interligados e têm uma função relevante para várias espécies.
Na psicologia, a primeira explicação para os sonhos veio do famoso médico neurologista e psiquiatra Sigmund Freud. O autor defendia que o sonho era uma espécie de manifestação de desejos e ansiedades inconscientes. Inclusive, o sonho era considerado uma via de excelência para compreender o inconsciente, onde nele eram representados impulsos problemáticos que eram rejeitados na consciência.

“Sonho, logo, eu existo?”

Na perspetiva de Augusto Cury (2004), nós produzimos sonhos enquanto estamos acordados ao vivenciar as batalhas da existência, sentindo a vida que pulsa no nosso dia-a-dia.

Então, o sonho pode funcionar como um simulador em que as tarefas ou eventos que são prioritários são ensaiados. Isto ajuda a compreender o papel do reverso dos sonhos: os pesadelos. Isto ocorre, frequentemente, na perturbação de stress pós-traumático porque sonhamos com temas que nos preocupam durante o dia.

Se sente que essa preocupação está a evoluir de forma a permanecer fora do seu controlo, um psicólogo pode ajudar.

Para terminar, nunca se esqueça que “os sonhos são como vento, você os sente, mas não sabe de onde eles vieram e nem para onde vão”.

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