De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2005) a saúde mental envolve “um estado de bem-estar no qual cada pessoa compreende o seu potencial, consegue lidar com as fontes de stresse habituais do dia-a-dia, consegue trabalhar de forma produtiva e é capaz de contribuir para a sua comunidade.”

A saúde psicológica não se refere estritamente à ausência de doença, mas também à capacidade da pessoa para sentir bem-estar e para lidar e contribuir de forma ativa para a sua vida e a vida da comunidade em que se insere. Por outro lado, a presença de doença mental refere-se a um conjunto alargado de perturbações mentais que são comuns e podem ser diagnosticadas com base em alterações que podem ocorrer no humor, no pensamento ou no comportamento e que apresentam como consequência mal-estar e alterações significativas no funcionamento da pessoa a diversos níveis (Pilgrim, 2014).

Então, quais os fatores que podem colocar em risco a saúde psicológica de uma pessoa?

  1. fatores individuais, por exemplo, o temperamento, a personalidade, a resiliência, a forma como a pessoa lida com os acontecimentos da sua vida e, mesmo, as experiências precoces, contribuem significativamente para a saúde mental ou, em contrapartida, para o surgimento de diversas formas de doença mental (Matos & Morgan, 2012);
  2. fatores sociais, por exemplo, o grupo de pares (APA, 2015);
  3. fatores familiares, por exemplo, os modelos parentais ou consumo de substâncias (APA, 2015);
  4. fatores contextuais, por exemplo, o ambiente escolar, a comunidade, entre outros (APA, 2015).

Estas interações, entre fatores, podem contribuir para explicar as diferenças individuais na forma como as pessoas conseguem ter, e manter, a sua saúde psicológica!

Miguel Silva, psicólogo, escreve semanalmente às terças no LUX24

Estes são os fatores que podem colocar em risco a saúde psicológica do individuo. Mas, então, quais são os fatores que podem promover a saúde mental? Já lá vamos. Primeiro considero, particularmente, importante falarmos sobre psicologia e saúde e psicologia da saúde.

Quando a psicologia nasceu como ciência (meados do século XIX), não parecia haver necessidade ou preocupação em discutir as questões ligadas à saúde, mas sim aos processos da consciência, voltando-se à compreensão dos indivíduos sem características de adoecimento (Avanci & Njaine, 2019). Paralelamente, nas sociedades ocidentais espalhavam-se discursos e práticas sobre a saúde relacionados com o disciplinamento dos corpos, da constituição das intervenções sobre as pessoas e das práticas higienistas (Focault, 1995; Medeiros, Bernardes & Guareschi, 2005; Avanci & Njaine, 2019).

Mais tarde, a psicologia começa a debruçar-se no estudo dos determinantes do comportamento das pessoas e das populações, nas alterações do comportamento, no desenvolvimento dos indivíduos ao longo do ciclo de vida, nos contextos de interação do individuo e nos estilos de vida (Matos, 2004). Com isto, surge, então, o termo psicologia da saúde.

Segundo Baptista e Neto (2019), a psicologia da saúde trata-se de uma área da psicologia que se foca nos processos psicológicos associados à saúde e doença. A psicologia da saúde investiga e trabalha com, a saber:

  1. variáveis individuais associadas à saúde (e.g., fatores psicofisiológicos, cognitivos, afetivos e comportamentais;
  2. variáveis contextuais (e.g., relacionadas com as dimensões interpessoais, ambientais e sociais).

Tendo em linha de conta as variáveis individuais e contextuais, é chegado o momento de falarmos sobre promoção da saúde.

De acordo com a carta de Ottawa (1986, 2009), a promoção de saúde «é o processo que visa aumentar a capacidade dos indivíduos e das comunidades para controlarem a sua saúde, no sentido de a melhorar.» Mais ainda, a promoção da saúde abrange três componentes que se sobrepõem (WHOEMBRO, 2012): educação para a saúde; proteção da saúde; e prevenção.

Do ponto de vista da promoção da saúde psicológica, esta está diretamente relacionada com a prevenção e o tratamento da doença mental. Para tal, devem ser promovidas competências e recursos individuais, a par da criação e fortalecimento dos recursos existentes na comunidade para prevenir a doença mental.

“Sem saúde psicológica, nada feito!”

A saúde psicológica é essencial para a saúde da pessoa e, concomitantemente, para a saúde pública, e está interligada a um maior bem-estar e com uma melhor qualidade de vida em diferentes áreas (e.g., amigos, família e trabalho).

Se eu não cuidar de mim, quem cuidará?

Por vezes, devido à ausência de estratégias de coping num dado momento da nossa vida, torna-se complicada a manutenção do (auto)cuidado. A intervenção em psicologia da saúde possui soluções tecnológicas inovadoras associadas à internet e aos dispositivos móveis (ehealth e mhealth) para informar as pessoas sobre políticas públicas ou aspetos de organização de saúde (Baptista & Neto, 2019). Diga não à desinformação. Um psicólogo pode ajudar.

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