Miguel Silva, psicólogo, escreve semanalmente às terças no LUX24

A palavra ciúme significa um estado emocional negativo complexo, abrangendo diferentes sentimentos, como a insegurança, o medo do abandono, a raiva ou a humilhação, desencadeado pela ameaça percebida à estabilidade ou à qualidade de uma relação íntima, geralmente pelo receio de perder o objeto do desejo (Baptista & Neto, 2019).

De um modo geral, o termo ciúme surge com mais intensidade nas relações amorosas. No entanto, o ciúme pode ser sentido em qualquer tipo de relação afetiva significativa, como entre amigos ou entre familiares.

O ciúme envolve sempre um triângulo de interações, situando-se, numa das faces, a interação entre a pessoa que sente ciúmes e a pessoa significativa. Na outra face a interações da pessoa significativa com aquela que é sentida como rival. Por último, na terceira face, as atitudes da pessoa que sente os ciúmes relativamente a essa rival.

De acordo com Wade e Weinstein (2001), as múltiplas formas de manifestação do ciúme são: o modo como é significado, a sua intensidade, os tipos de reação que desencadeia e a maior ou menor dificuldade em controlar este sentimento, dependem, não só de crenças e motivações pessoais, mas a interação entre uma multiplicidade de fatores individuais. Entre estas encontram-se variáveis cognitivas, emocionais, de personalidade, fatores relacionais, fatores contextuais e ambientais, e fatores sociais e culturais.

Então, podemos concluir que os ciúmes são episódios emocionais complexos? A resposta é sim.

Sentir ciúmes em alguma fase da vida ou em determinado contexto relacional é considerado algo normal e universal. Porém, quando o ciúme se revela excessivo ou é imotivado pode tornar-se patológico (e.g., “ciúme doentio”), conduzindo, muitas vezes, a atos violentos ou criminais. Este tipo de ciúme negativo ou patológico é tido como um dos mais fortes motivadores dos crimes ditos passionais, designadamente o homicídio de companheiros.

Nestes casos de homicídio de companheiros, mais do que o sentimento de amor, será um sentimento de posse e a perceção dos outros como objeto e como propriedade sua, o que sustenta estas reações. Assim, o ciúme “doentio” constitui um distúrbio psicológico e distingue-se do ciúme dito normal pelo facto de ser sentido intensamente, descontroladamente ou existir sem motivo real (Baptista & Neto, 2019).

Em situações mais extremas, o ciúme pode estar associado a alcoolismo crónico, a perturbações do espetro obsessivo–compulsivo ou a uma perturbação delirante persistente. Assim, tendo em linha de conta estes quadros psicopatológicos, o ciúme tende a ser classificado como ciúme delirante.

Até que ponto controla as suas emoções? Necessita de mais informações sobre este tema? No caso de sentir dificuldade em controlar os seus pensamentos, emoções e comportamentos, um psicólogo pode ajudar!

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