Miguel Silva, psicólogo, escreve semanalmente às terças no LUX24

Na psicologia, a palavra identidade refere-se ao modo como os indivíduos se compreendem e são reconhecidos pelos outros. Esta compreensão e reconhecimento não se restringe somente a uma característica física ou psicológica. Pelo contrário, a identidade engloba todas as características ou atributos físicos e psicológicos, conscientes e inconscientes do individuo.

Então, de acordo com Baptista e Neto (2019), a pessoa no seu todo (self) é definida por:

1. Um conjunto de características físicas, psicológicas e interpessoais que não são compartilhadas com outra pessoa;

2. Um conjunto de filiações (e.g., etnia) e papéis sociais;

3. Um sentido de continuidade, ou o sentimento de que se é, hoje, a mesma pessoa que se era no passado, apesar das alterações físicas entre outras;

4. Este sentimento é construído a partir da imagem do corpo, memórias, objetivos, valores, expetativas e crenças do self.

Portanto, quando falamos em identidade é importante referir que existem três tipos de identidades, a saber: identidade pessoal; identidade social e identidade relacional (Hall, 2001).

A identidade pessoal refere-se às crenças que as pessoas têm sobre as qualidades e atributos que os distinguem dos outros. A título de exemplo, um individuo pode pensar em si mesmo como sendo talentoso ou fiel. De um modo global, para a maioria das pessoas, estas qualidades são mais frequentemente positivas do que negativas (e.g., um grande número de pessoas acredita que tem um bom sentido de humor).

A identidade social refere-se ao sentido de pertença a várias categorias sociais, como a profissional, religiosa ou cultural. Esta identidade destaca a nossa ligação com os que compartilham características semelhantes ou ao grupo de pertença (e.g., as pessoas desenvolvem uma identidade de género ou identidade étnica). Aqui, é muito importante a forma como a pessoa é socialmente definida.

Relativamente à identidade relacional, esta refere-se à identificação com indivíduos que fazem parte do nosso self familiar e social (e.g., cônjuge e filhos), bem como às qualidades que mostramos quando interagimos com outras pessoas.

Afinal, “quem sou eu”?

Responder a esta questão pode não ser fácil dado que diferentes situações e circunstâncias ativam a identidade pessoal, social ou relacional.

Segundo Linville e Carlston (1994) a palavra self refere-se à noção do «conhecedor de si» como um conhecimento processual que dirige as nossas ações, pensamentos e sentimentos e a noção do «eu conhecido» como um conhecimento declarativo que temos acerca de nós próprios, sendo este último sinónimo do termo de autoconceito.

Paralelamente ao autoconceito, a autoestima, autorrepresentação e a autoeficácia são conceitos que são indissociáveis ao termo self dado que este refere-se a múltiplas autorrepresentações, que incluem não apenas a representação atual, mas também a representação passada, futura e ideal (e.g., o eu-desejado).

Então, para responder à questão “quem sou eu” é importante possuir uma boa capacidade de reflexividade, ou seja, ser capaz de se conhecer a si mesmo. O conhecimento que as pessoas têm sobre si influencia o seu comportamento, pensamento e bem-estar.

Desejo-lhe uma ótima reflexão!

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