Miguel Silva, psicólogo, escreve semanalmente às terças no LUX24

Estimado leitor, seja bem-vindo à rubrica “Conversas de Bolso”.

Todos os dias resguardamos dentro dos nossos bolsos várias questões/dúvidas que teimam não desafiar a zona de conforto.

Assim, todas as terças-feiras (esta semana excepcionalmente hoje) no seu jornal online de eleição, LUX24, serão abordados vários temas relacionados com a psicologia. “O saber não ocupa espaço”. Conto consigo!

Stress

Stress. Uma palavra cada vez mais comum dentro da nossa bagagem linguística, uma experiência comum na vida de qualquer pessoa. Todos sabemos o que é o stress, contudo, nem sempre é fácil defini-lo ou explica-lo, de forma clara, pelas suas próprias palavras.

Esta palavra foi proposta originalmente pelo médico e fisiologista Hans Selye (1956) para definir stress como um conjunto de reações expressadas por um organismo em resposta a uma exigência ou pressão imposta por um estímulo ambiental. De acordo com evidências científicas, o stress divide-se em três fases, a saber: alarme; resistência; e esgotamento (Gustavo & Tafet, 2018).

Segundo os mesmos autores, a fase de alarme surge em resposta ao impacto de um fator ou estímulo ambiental que ameaça o nosso equilíbrio (estado de homeostasia), o que provoca a ativação dos mecanismos biológicos para a resposta de confronto ou fuga.

A fase de resistência pressupõe que os recursos necessários para a defesa do organismo já foram adequadamente mobilizados, o que possibilita a contenção da reação inicial e a redistribuição dos recursos, neste caso, com o intuito de permitir a recuperação do organismo. Eventualmente se o estímulo agressor persistir e a resposta inicial do individuo não tiver sido suficiente, automaticamente surge a fase de esgotamento.

Esta fase caracteriza-se pelo desgaste e enfraquecimento/escassez das estratégias de coping do individuo, o que se traduz nas várias perturbações normalmente associadas ao stress (e.g., ansiedade).

É importante debruçar a sua atenção para o impacto nocivo, do ponto de vista da saúde física e mental, relativamente à ausência de respostas adaptativas em situações geradoras de mal-estar. Quando as nossas respostas são insuficientes para lidarmos com os problemas do quotidiano, estamos perante o que a psicologia chama de respostas mal adaptativas.

Este tipo de resposta, à luz da medicina psicossomática, tem sido objeto de estudo para explicar o efeito do stress psicológico nas pessoas cujas manifestações se expressam no corpo (Fink, 2016).

Assim, sermos flexíveis e pensarmos que o stress faz parte do nosso dia-a-dia em diversos contextos e situações, permitir-nos-á ter mais controlo na componente emocional, cognitivo e comportamental.

Em conclusão, gostaria de salientar que não reagimos todos da mesma forma a um mesmo fator de stress, pois, como se costuma dizer “cada caso é um caso”. O que nos distingue aquando uma reação a um estímulo é essencialmente a nossa avaliação subjetiva. Esta avaliação é o que nos permite medir os nossos recursos para enfrentar as os problemas da vida.

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