O psicólogo Miguel Silva, escreve semanalmente no LUX24.

Definir a palavra casal implica ter em linha de conta o enquadramento sociocultural que a sustenta, sendo igualmente viável a identificação de múltiplas conceptualizações em função do paradigma adotado (Lima, 2019).

É importante também reconhecer que as mudanças na sociedade, principalmente nas últimas décadas, modificam ao longo do tempo a assunção individual de autonomia e intimidade, tarefas desenvolvimentais do jovem adulto, pilares para o estabelecimento de compromisso relacional (Faria, Fonseca, Lima, Soares, & Klein, 2007) e do casal (Narciso, 2001; Silva & Relvas, 2007).

Evidências empíricas demonstram que o modelo sistémico se afigura como o mais integrador, ao ter em consideração um carácter recursivo da relação entre as duas pessoas que compõem o casal. A título de exemplo, Campo e Linares (2002) definem a noção de casal como «caráter voluntário da relação estabelecida entre duas pessoas, assente na forte ligação afetiva que os sustenta e orienta à definição e partilha de um projeto comum que se prolonga no tempo, bem como o necessário estabelecimento do que postulam ser um espaço próprio (e.g., um nós)».

Vida de casal: um mais um são três.

Tendo por base o raciocínio exposto anteriormente, o “nós” simboliza não apenas cada um dos elementos do casal, como a relação ou a síntese que ambos nela estabelecem, interage com o contexto em que se insere, estabelecendo com ele as necessárias fronteiras (Minuchin & Fishman, 2008).

Um casal é constituído por pessoas que provêm de famílias diferentes e o estabelecimento e a definição da identidade do casal, portanto do “nós”, assume-se como um processo contínuo e coconstruído e, assim, dialógico (Aron &Aron, 2010; Fossa, Molina, Puerta, Barr, & Tapia-Villanueva, 2016).

A nível psicológico, a experiência conjugal, a sua qualidade e satisfação têm sido fortemente identificadas como elementos associados a vários indicadores de bem-estar e de saúde física e mental.

Sabia que… de acordo com Glaser e Newton (2001) os indivíduos casados e que avaliam positivamente a sua relação apresentam indicadores mais positivos de saúde física e mental (e.g., em dimensões como saúde cardíaca, funcionamento psicofisiológico e sintomatologia depressiva ou presença de stress negativo)?

Efetivamente, existem potenciais fatores de cariz individual e relacional que influenciam a relação do casal. Contudo, existe um fator de extrema importância que constitui a tríade do amor: a paixão! A paixão, aliada à intimidade e ao compromisso, nas sociedades ocidentais, é um dos motores para a constituição do casal (Sternber, 1988; Cigoli, & Scabini, 2006).

Para promover a satisfação conjugal é importante aumentar a capacidade de resolução de conflito e negociação. Por outras palavras, não deverá considerar apenas a existência do “eu” e do “tu”, mas sim a construção da relação do “nós”.
Um psicólogo pode ajudar!

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