O psicólogo Miguel Silva, escreve semanalmente no LUX24.

Há quem diga que a vida está recheada de dilemas, portanto, de escolhas difíceis entre duas ou mais possibilidades. Efetivamente, existem muitas situações de conflito da vida real relacionadas à problemática da ação coletiva.

De acordo com o famoso matemático Albert Tucker (1950) a maioria dos conflitos estão presentes no facto de os objetivos individuais não serem compatíveis com os objetivos coletivos.

Vejamos, a título de exemplo, o seguinte exemplo. Já ouviu falar no “dilema do prisioneiro”, formalizado pelo autor supracitado, no domínio da teoria dos jogos?

Vamos a isso.

Então, o autor convida o leitor a imaginar a hipotética situação vivida por duas pessoas que são presas por suspeita de um crime. Portanto, as pessoas são sujeitas a um interrogatório policial, em separado.

Durante a sessão de interrogamento, são disponibilizadas as mesmas duas alternativas a cada pessoa: confessar ou não confessar o crime, sendo que a minha primeira opção implica denunciar a outra pessoa.

Os resultados decorrentes da estratégia a escolher têm um caráter interdependente, por outras palavras, não dependem da decisão pessoal, mas sim, da combinação entre a decisão pessoal e a decisão do outro.

Trabalhar em equipa: por vezes, um dilema na vida real!

Relativamente aos ganhos de cada prisioneiro, são os seguintes:

  • “se nenhum deles optar por confessar o crime (e.g., trabalhar em equipa) cada um recebe aquilo a que chamamos de recompensa”;
  • “se os dois prisioneiros confessarem o crime, ou seja, denunciar o comparsa, cada um recebe aquilo a que chamamos de punição”;
  • “se escolherem estratégias antagónicas, aquele que não confessar está a optar pela via da cooperação individual e o desertor pela via da tentação”.

Então, a decisão a tomar é fácil ou difícil?

O autor acredita que a decisão a tomar é difícil, pois, a comunicação entre os dois prisioneiros está impossibilitada, pelo que estes não têm conhecimento da estratégia alheia e, mais ainda, porque as condições que presidem aos resultados promovem conflito (Baptista & Neto, 2019).

Neste tipo de situação, a estratégia mais racional, repito, mais racional, para cada um dos indivíduos é confessar.

Trabalhar em equipa, por vezes, implica promover a consciência de que nenhuma pessoa tem garantias de que o “outro” também não irá confessar e nem haverá a oportunidade de alterar a sua decisão, razão pela qual a competição constitui a estratégia dominante.

Um psicólogo pode ajudar!

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