Miguel Silva, psicólogo, escreve semanalmente às terças no LUX24.

A psicologia refere-se ao termo consciência como um estado de vigilância que permite que uma pessoa se reconheça como agente independente do meio e dos objetos externos a si. A consciência é uma capacidade que não é exclusiva ao ser humano, existindo de certa forma em outros animais.

Sabia que existem três níveis de consciência organizados de forma hierárquica?

De acordo com o psicólogo Endel Tulving, os três níveis de consciência são:

  1. Consciência anoética: corresponde à ligação temporal e espacial com o tempo presente; ao julgamento a partir da interpretação do observador; e ao julgamento sobre o mundo na primeira pessoa que é conduzido pelo próprio estímulo.
  2. Consciência noética: implica representações internas e está associada à memória do passado; corresponde ao julgamento feito sobre uma representação de um objeto que não está obrigatoriamente presente e que, por isso, pode ser um objeto mental.
  3. Consciência autonoética: corresponde à forma mais elevada de consciência. É autorreflexiva e implica um certo autoconhecimento. Está relacionada com a memória episódica e pode implicar uma viagem mental temporal do “eu” (por exemplo, refletir sobre o passado, pensar sobre o presente e pensar sobre o futuro).

Efetivamente, apesar da dificuldade de definição deste conceito, a comunidade científica acredita existir uma intuição comum sobre o que significa consciência a partir da experiência subjetiva da pessoa enquanto agente consciente (Baptista & Neto, 2019).

Para o filósofo australiano David Chalmers, a resolução desta dificuldade passa por usufruir da capacidade de discriminar e integrar informação, de relatar estados mentais e de focar a atenção.

Para tudo isto é necessário ter consciência de forma consciente, concorda?

Uma pessoa consciente tem conhecimento da sua realidade psíquica. O consciente, à luz da psicologia, é descrito como um estado momentâneo da realidade psíquica relativo ao conjunto de fenómenos mentais que são percebidos pela própria pessoa. Paralelamente, a consciência serve para descrever a consciência moral, portanto, os processos mentais relacionados com o desenvolvimento do ideal do “eu” e do “super-eu”.

Nem sempre é fácil transformar a informação inconsciente em informação consciente (por exemplo, quando dizemos “fez-se luz!”). Para tal, é necessário ocorrer o processo de insight que pressupõe compreender e interligar aspetos complexos de um problema e, concomitantemente, possuir capacidade para “ver de dentro” uma determinada situação.

Um psicólogo pode ajudar.

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