O psicólogo Miguel Silva escreve semanalmente no LUX24.

A saúde mental é um pilar essencial da saúde geral das crianças. Para tal, tem uma relação importante com a sua saúde física e a sua capacidade de ter sucesso na escola, no trabalho e na sociedade. Tanto a saúde física quanto a mental interferem na forma como pensamos, sentimos e agimos por dentro e por fora. A saúde mental é, sem margem de dúvida, importante durante toda a infância.

A título de exemplo, imaginemos uma criança com excesso de peso que é confrontada e provocada sobre o seu peso atual. Esta pode retirar-se socialmente e ficar deprimida e, mais ainda, pode estar com um “pé atrás” em relação a brincar com as outras crianças ou até mesmo praticar exercício físico, o que contribui ainda mais para uma saúde física mais pobre e, como resultado, uma saúde mental mais pobre.

Portanto, estas questões têm implicações a longo prazo sobre a capacidade das crianças de atingirem o seu potencial, bem como consequências para os sistemas de saúde, educação, trabalho e justiça criminal de nossa sociedade.

Estou certo de que todas as crianças têm direito a uma vida feliz e saudável e merecem acesso a cuidados eficazes para prevenir ou tratar quaisquer problemas de saúde mental que possam desenvolver.

No entanto, há uma percentagem significativa de necessidades não atendidas, e as diferenças no acesso a cuidados de saúde são particularmente acentuadas para as crianças que vivem em comunidades de baixa renda, crianças de minorias étnicas e populações oprimidas, como as definidas por identidade de género e orientação sexual; status de imigração; deficiências físicas, desenvolvimentísticas e intelectuais; ou condições médicas crónicas (Braaten, 2011).

Tendo em linha de conta que, como referi anteriormente em contextos mais deficitários verifica-se um aglomerado de lacunas não atendidas em comunidades mais carenciadas, torna-se de extrema importância falarmos sobre o tema do abuso sexual.

O termo abuso sexual é definido como uma atividade sexual indesejada, com agressores usando a força, realizando ameaças ou aproveitando-se de vítimas indefesas que não são capazes de dar o seu consentimento.

A maioria das vítimas e criminosos conhecem-se. As reações imediatas ao abuso sexual incluem: o choque, o medo ou a descrença. Os sintomas a longo prazo incluem: a ansiedade, o medo ou o stress pós-traumático.

Evidências científicas demonstram que, embora os esforços para tratar os agressores sexuais permaneçam pouco promissores, as intervenções psicológicas para o tratamento dos sobreviventes parecem mais eficazes, especialmente as intervenções em grupo.

Então, o que acontece quando uma criança é negligenciada e abusada?

Abuso e negligência têm efeitos (muito) negativos nas crianças. Na pior das hipóteses, uma criança pode morrer. Mais frequentemente, crianças abusadas ou negligenciadas vivem com medo ou dor e relatam alguns dos seguintes sinais/sintomas:

  • Lesões frequentes
  • Medo ou timidez
  • Pesadelos
  • Problemas de comportamento
  • Medo de certas pessoas adultas ou certos lugares

Os efeitos não terminam quando o abuso sexual termina. Com o passar do tempo, a criança cresce, e torna-se mais propensa a abusar da sua própria família; usar a violência para resolver os seus problemas; manifesta dificuldade em aprender (autoconhecimento); manifesta dificuldades emocionais (autorregulação); tentativa de suicídio; consumo de álcool ou outras drogas.

Este tema nem sempre é fácil para toda a família. Por vezes, a própria família precisa de ajuda para lidar com a criança sem recorrer à violência. Felizmente, um psicólogo pode ajudar!

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