Miguel Silva, psicólogo, escreve semanalmente às terças no LUX24

Ano novo, vida nova. Será assim em 2021? Tudo dependerá do fortalecimento de uma resposta durante o processo de aprendizagem.

A palavra reforço designa o processo através do qual se provoca o aumento na frequência de uma resposta, ao fazê-la seguir de forma incerta, de certas consequências reforçadoras. Portanto, evidências empíricas demonstram que um reforçador é um acontecimento estímulo que, ocorrendo de forma contingente a um comportamento, aumenta a frequência desse comportamento (Hollon, 2016).

Em psicologia, existem dois tipos de reforço: positivo e negativo. Ambos são definidos apenas pelo seu efeito comportamental, traduzido no aumento da frequência do comportamento.

Comportamento. Uma palavra que nunca é demais reforçar.

De acordo com Lencastre (2019) “o comportamento humano representa, assim, a atividade humana visível e suscetível de ser abordada objetivamente pela metodologia científica e subjetivamente pelas suas motivações e significados”.

Em 2021 continuaremos a lidar com o (s) desafio (s) societal (ais) que a pandemia COVID-19 representa e aprenderemos mais. Assim, do ponto de vista comportamental (e.g., individual e coletivo), as pessoas têm a capacidade de provocar um impacto positivo imediato e visível na melhoria da qualidade do ambiente (e.g., diminuição global das emissões de gases com efeitos de estufa e consumir energia de forma mais responsável e sustentável).

Reforço: nunca é demais reforçar!

O reforço positivo aumenta a frequência de um comportamento que é seguido por um estímulo positivo (e.g., reforçar a empatia, saúde psicológica e física). Reforçar um comportamento é fazê-lo ocorrer com maior frequência. O conceito positivo é usado em parceria com reforço para se referir, não a algo de bom, mas sim a uma forma específica de reforço em que algo é acrescentado.

Os reforçadores positivos podem ser primários ou incondicionados (e.g., alimentação) e secundários ou condicionados (e.g., dinheiro) quando adquirem as suas propriedades reforçadoras mediante o emparelhamento com estímulos que já possuem propriedades reforçadoras.

Um reforçador positivo para uma pessoa, não o é obrigatoriamente para outra, tal como, um acontecimento pode ser um reforçador positivo para uma pessoa numa circunstância e não o ser noutra.

Por sua vez, um reforçador negativo, tem por característica definidora, ao ser eliminado a seguir a um comportamento, aumentar a frequência desse comportamento. Pela sua denominação o termo é frequentemente confundido com “punição positiva”, em que um estímulo aversivo é introduzido após o comportamento. Neste sentido, o termo negativo refere-se à retirada do estímulo e a palavra reforço ao efeito sobre o comportamento.

A título de exemplo, uma conversa em voz alta num local onde é obrigatório permanecer em silêncio (e.g., igreja, biblioteca ou sala de aula) é um estímulo aversivo, e terminar com ela pode ser reforçador. Ora, o comportamento que limita conversar alto nesse local (e.g., pedido assertivo de silêncio) é reforçado negativamente porque é seguido da eliminação do acontecimento aversivo.

Em psicopatologia, nas perturbações da ansiedade, os comportamentos de evitamento têm um papel importante na manutenção da ansiedade. Por outras palavras, estes comportamentos são reforçados negativamente pelo seu efeito na redução a curto prazo da ansiedade (Baptista & Neto, 2019).

Nunca é demais reforçar. Um psicólogo pode ajudar.

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