O psicólogo Miguel Silva, escreve semanalmente no LUX24.

No passado dia 04 de outubro de 2021, durante aproximadamente seis horas, as redes sociais Facebook, Instagram e WhatsApp sofreram uma interrupção na sua utilização que, por sua vez, resultou no aumento de relatos de quadros de ansiedade.

Face ao exposto, torna-se relevante (re)pensar sobre a maneira como a internet e as aplicações são usadas atualmente.

Neste artigo vamos abordar, mais concretamente, o risco de ciberdependência devido a certos cibercomportamentos.

Sabia que, durante o mês de abril de 2020, 4.57 mil milhões de pessoas foram utilizadores ativos da internet? (OPP, 2020).

Efetivamente, antes do início do surto pandémico, a literatura científica começou a sensibilizar, essencialmente as famílias, para os riscos da utilização das Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) sem uma supervisão rigorosa de potenciais riscos (por exemplo, cyberbullying).

Por sua vez, durante a pandemia (COVID-19) a conexão ao mundo virtual passou a ser uma necessidade não só para lazer, mas também para trabalhar e/ou estudar. Apesar de todas as vantagens de estarmos “à distância de um clique”, o uso excessivo das TIC conduz a algumas complicações que merecem a nossa atenção.

Quando falamos em ciberdependência estamos a mencionar o comportamento que envolve, de um modo global, a realização de atividades online, de forma intensa e persistente, resultando no aumento da presença no “terreno” virtual, dificuldade na autorregulação e dificuldade de desviar o olhar do “horizonte azul”.

Quando a luz azul apaga…

É muito importante entender as necessidades psicológicas e fatores de motivação relacionados ao uso da internet, pois, elas são a base destes comportamentos! Paralelamente, é imprescindível falar sobre a construção de significados face à função que o comportamento online assume na vida da pessoa e na forma como compensa as necessidades supracitadas. Assim, torna-se mais fácil estabelecer uma ligação entre pensamentos, emoções e comportamentos.

Antes de terminar, tome nota de algumas recomendações para a promoção de comportamentos online saudáveis (Branquinho, Patrão, Faria, Vinhas, Fernandes, & Rodrigues, 2020):

1. Gestão de emoções. Os Psicólogos podem ajudar os indivíduos a encontrar estratégias para gerir reações de irritação e/ou agressividade nos momentos de privação do uso das tecnologias e ajudar os pais/cuidadores a aplicar essas estratégias junto dos mais novos;

2. Relação de confiança. Ter em consideração que, na maior parte das dependências, não é o próprio quem solicita o acompanhamento psicológico. Assim, numa fase pré-contemplativa do processo de mudança comportamental, é essencial definir objetivos e fomentar a esperança;

3. Promover a reflexão sobre as vivências dentro e fora do espaço online. Os Psicólogos podem ajudar as famílias a organizar o seu tempo e a integrar a utilização das TIC de forma instrumental e positiva – por exemplo, não permitindo que prejudiquem o funcionamento de rotinas familiares estabelecidas e que devem ser mantidas (e.g., não utilizar TIC no momento das refeições) ou criando condições para “desligar da tecnologia” (e.g., criar um local para momentos de descanso “livre de tecnologia”).

Os profissionais de saúde mental desempenham um papel importante na promoção da utilização saudável das tecnologias, no sentido de prevenir comportamentos de risco e promover comportamentos saudáveis. Um psicólogo pode ajudar!

 

Publicidade
Falhas, erros, imprecisões, sugestões?
Por favor fale connosco.
Publicidade