O psicólogo Miguel Silva, escreve semanalmente no LUX24.

Gravidez. Um conceito, para alguns autores, definido como um estado fisiológico único na vida da mulher, caracterizado por um ambiente hormonal particular, que não só provoca alterações corporais inerentes, como expõe a mulher a momentos de maior fragilidade psicológica (Fonseca, Coelho, & Santo, 2017).

A gravidez apresenta um conjunto de alterações no organismo materno (por exemplo, fisiológicas, anatómicas e bioquímicas) que podem explorar melhor o surgimento de um quadro clínico de várias doenças conhecidas ou até então desconhecidas. As adaptações do organismo materno possibilitam a estabilidade do desenvolvimento embrionário e fetal.

A nível psicológico, o estado mental da grávida e o seu risco de doença mental é influenciado por fatores bioquímicos e por experienciar momentos potencialmente stressantes.

A própria gravidez condiciona, de variadas formas, o surgimento de doenças psiquiátricas previamente existentes.

Durante a gravidez, na presença ou não de perturbação psiquiátrica, a mulher apresenta, geralmente, uma sensação acrescida de fragilidade, por outras palavras, “crise de identidade”.

Todas as alterações corporais e limitações (sobre a sua funcionalidade) impostas pela gestação, particularmente a reação da grávida e de terceiros à sua nova imagem corporal, são geradoras de crise ou conflito.

Esta “crise de identidade” serve de igual modo para promover uma transformação gradual da própria mulher.

Por outras palavras, dá-se início a um processo de reestruturação, de modo a incluir a existência de um filho/a na sua identidade. A reestruturação começa pela aceitação da presença de um feto no seu corpo, aceitando-o como parte integrante de si, o que acontece no primeiro e segundo trimestres da gravidez.

Os chamados “pontapés na barriga” (movimentos fetais) e a avaliação ecográfica do segundo trimestre do feto, a representação do bebé vai-se tornando mais autónoma, e dá-se início à aceitação da diferenciação mãe-feto e a conceção de que o feto não faz parte de si própria, o que constitui uma fase fundamental para o estabelecimento da ligação emocional (comunicação verbal e táctil através de carícias no abdómen).

Por fim, no terceiro trimestre, vive-se a separação física do bebé, recebendo-o como um ser individual e único (aqui há um confronto entre o bebé real e o idealizado e inicia-se um dos muitos desafios da parentalidade).

O apoio psicológico na gravidez engloba um extenso conjunto de intervenções de cariz psicológico que estão atualmente disponíveis para diferentes situações, entre as quais a gravidez e o pós-parto.

O período gravídico, considerado no senso comum como uma fase especialmente feliz na vida da mulher e do casal, é, efetivamente, uma fase complexa, que pode ser compreendida como uma fase crítica ou de crise desenvolvimental (Leal, Correia, Sereno, & Brito, 2017).

Queridas recém mamãs ou futuras mamãs, o apoio psicológico nesta fase é extramente importante e foca-se primariamente em manter ou restabelecer o nível de funcionamento prévio da pessoa através de:

1. Reforço de mecanismos de defesa adaptativos;
2. Afastamento de pressões ambientais demasiado intensas;
3. Adoção de estratégias que promovam o alívio dos sintomas;
4. Promoção do crescimento emocional;
5. Aquisição de maturidade emocional através da promoção da autonomia, da consolidação de uma identidade própria, do estabelecimento de uma autoimagem estável e integrada).

Um psicólogo pode ajudar!

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