O psicólogo Miguel Silva, escreve semanalmente no LUX24.

A psicodança é considerada uma técnica psicoterapêutica, com enquadramento no modelo psicodramático, que usa o corpo e o movimento como formas comunicacionais preferenciais e a música como suporte dessa comunicação (Rojas-Bermúdez, 1997).

De acordo com Cruz (2014), a investigação científica relativamente à psicodança é pouca, no entanto, destaca-se os contributos do investigador Moreno para designar a combinação e expansão do psicodrama através da arte de dançar (Cukier, 2002).

O psicodrama distingue-se das terapias puramente verbais ao procurar novos “métodos para a exploração e desenvolvimento de uma psicopatologia sem linguagem, não semântica, introduzindo o corpo e a ação no contexto terapêutico (Moreno, 1975).

Isto não significa que a comunicação por palavras deixe de ser importante, pelo contrário, a palavra continua a ser primordial. A lógica da psicodança é aproximar uma comunicação mais próxima do natural- a comunicação corporal! (Cruz, 2019).

Psicodança: A arte de dançar psicologicamente falando.

Vamos viajar um pouco no tempo.

Em 1961, Rojas- Bermúdez dá início às suas primeiras investigações em psicodança com a ajuda de grupos compostos por artistas de diversas áreas (por exemplo, teatro, cinema, dança, fantoches, entre outros). Este experimento permitiu uma exploração, aprofundamento e maior compreensão das possibilidades terapêuticas do trabalho corporal.

Então, tendo em linha de conta o enquadramento psicodramático e suporte teórico nas áreas da neurofisiologia (importante compreender organicamente os processos que dão suporte ao movimento e aos fenómenos que desencadeiam), o autor criou a psicodança tal como hoje a conhecemos (ainda que pouco).

Assim, uma parte muito importante do trabalho terapêutico em psicodança reside na leitura e criação de formas naturais, psicológicas ou sociais que se vão demonstrando através da dança, e da sequência em que se apresentam. As formas corporais, das interações criadas pela própria pessoa guiam o terapeuta e proporcionam uma exploração dos conteúdos, em conjunto com o protagonista.

O corpo introduz a palavra lentamente… A dramatização permite passar das palavras para “o reviver da experiência conflituosa” ao colocar a pessoa em ação e mover a componente emocional (Moyano, 2012).

A seleção da música é muito importante devido aos movimentos corporais (por exemplo, formas e ritmos) que vão aparecendo no desenrolar da psicoterapia e serve assim como suporte da expressão corporal, gestos, posturas, movimentos que decorrem no cenário.

Para terminar, a psicodança é especialmente indicada nas psicopatias e em todos os processos psicopatológicos que comprometam gravemente a comunicação verbal (por exemplo, psicopatas, histéricos e maníacos). Concomitantemente, é indicada para pessoas que apresentam dificuldades para expressar verbalmente os seus sentimentos e conflitos (por exemplo, obsessivos, depressivos, fóbicos e esquizofrénicos).

Em slow motion me despeço… Um psicólogo pode ajudar!

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