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Miguel Silva, psicólogo, escreve semanalmente às terças no LUX24.

A origem da palavra otimismo provém da presença do adjetivo latino optimus, significando “muito bom”, ou “excelente”, ao qual se associou o sufixo francês isme (ism). A raiz op é a mesma de opis, de recurso, ajuda, riqueza e força. Por sua vez, pessimismo vem do latim pessimus, “pior”, sendo possível que, originalmente, significasse “mais baixo”, “para caminhar, tropeçar, prejudicar” (Kirkpatrick & Kent, 2009).

Estas duas palavras (otimismo e pessimismo) são, simultaneamente, formas filosóficas sobre o mundo, predisposições psicológicas individuais e, por vezes. circulam em contramão nos momentos de maior adversidade.

Portanto, o pessimismo defende que a realidade é essencialmente perversa e cruel, incontrolável, sem sentido e que, estando destinados ao sofrimento, viveremos vidas em que o mal supera a felicidade. Por seu lado, o otimismo interpreta o mundo como fundamentalmente bom, alvo de criação por uma entidade bondosa, e defende que a existência tem um propósito que poderá ser obtido (Dienstag, 2006).

Do ponto de vista da psicologia, estes dois conceitos (na qualidade de variáveis psicológicas), têm sido muito estudados ao longo de décadas de trabalho sobre comportamento e motivação. Um dos modelos mais investigados é o do otimismo e pessimismo disposicional, definido o otimismo como predisposição para ter expectativas positivas acerca da ocorrência de eventos futuros, e o pessimismo como a expetativa generalizada de maus acontecimentos futuros (Chang, Chang, & Sanna, 2009; Carver & Scheier, 2009).

A investigação sobre estas variáveis psicológicas intensificou-se após verificarem-se os seus efeitos nos modelos de autorregulação, dado que as expetativas marcam as nossas respostas comportamentais quando procuramos alcançar objetivos, em especial perante a presença de obstáculos. O otimismo e o pessimismo disposicionais referem-se a diferenças individuais estáveis que são afetadas pelas interações entre ambiente e genética.

Otimismo irrealista, estratégico, situacional, e pessimismo defensivo e desesperado, bem como conceções relacionadas, como esperança e ilusão de controlo, são alguns outros conceitos associados ao estudo destas variáveis psicológicas.

A ciência tem analisado as relações entre os diferentes tipos de otimismo e pessimismo, a independência potencial de otimismo e pessimismo e os processos específicos pelos quais influenciam e são influenciados por outras variáveis (Marujo & Neto, 2019).

Então, as pessoas com um estilo otimista explicam eventos negativos em termos de causas externas, variáveis e específicas, enquanto as de estilo pessimista usam explicações que se concentram em causas internas, estáveis e globais. O otimismo e pessimismo disposicional não se correlaciona de forma clara com o otimismo e pessimismo atribucional. Destaco o facto que este se concentra em explicações de eventos passados, e aquele foca-se nas expectativas sobre o futuro (Chang, 2001).

O otimismo disposicional tem surgido associado a uma grande variedade de resultados positivos, incluindo melhor saúde mental e física, motivação, relações pessoais e desempenho. As diferenças entre otimismo e pessimismo parece amplificar-se perante as dificuldades, com os otimistas a acreditarem mais facilmente que vão lidar com contrariedades, quer de curto, quer de longo prazo, e a persistirem, e os pessimistas a antecipar infortúnios e a restringirem a sua ação (Carver & scheier, 2009).

A depressão e a ansiedade demonstraram estar relacionadas com o otimismo, mas de forma negativa, ou seja, quanto mais alto o nível de otimismo, menor probabilidade de desenvolver essas patologias (Norem, 2016). Concomitantemente, a psicologia mostra também como o pessimismo é uma variável importante no risco de suicídio, mais importante ainda do que a depressão. Portanto, as pessoas pessimistas têm maior probabilidade de verbalizar problemas de consumo de álcool do que as otimistas, bem como de desistir facilmente de programas de apoio após tratamento do alcoolismo, retornando mais rapidamente aos consumos, quando comparadas com as otimistas (Lopez, 2009; Segerstrom & Sephton, 2010).

Sabia que em crises de vida graves, o otimismo ajuda a harmonizar a complexidade e a diversidade das emoções vividas, sendo que a confiança em resultados positivos futuros regula a intensidade dos sentimentos mais negativos?

Efetivamente, há uma correlação comprovada entre otimismo e autoestima, com o bem-estar subjetivo e com a saúde percebida (Peterson, Seligman & Vaillant, 1988).

Um psicólogo pode ajudar.

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