O psicólogo Miguel Silva, escreve semanalmente no LUX24.

O termo genérico de qualidade de vida começou a ser utilizado desde o início do século XX.

De acordo com Veenhoven (2000), a felicidade, a satisfação com a vida e o bem-estar possuem o mesmo significado e são utilizados como sinónimos. Mais tarde, o autor Sirgy (2002) acrescenta à lista das variáveis da psicologia positiva o afeto positivo e negativo, o bem-estar subjetivo, a felicidade subjetiva e a perceção de qualidade de vida como aspetos relevantes da qualidade de vida.

Segundo Pais-Ribeiro (2004), no final do século XX, o termo qualidade de vida, ou o constructo da QDV, tornou-se importante, constituindo-se como um pilar relevante para a psicologia. Os construtos, de acordo com o autor supracitado, “são os tijolos utilizados na construção das teorias científicas”. Assim, este termo advém do facto de se apresentarem como construções mentais que resultam da observação do que acontece na nossa vida, à nossa volta, e das conclusões que retiramos dessas observações.

Por outras palavras, a qualidade de vida é uma espécie de avaliação que a pessoa faz de quanto bem correm as coisas ao longo da vida, incluindo a reação (emocional) aos acontecimentos da vida, satisfação com a vida em geral, com o trabalho e com as relações pessoais (Theofilou, 2013).

Em pleno século XXI o que significa, para si, qualidade de vida?

Existem múltiplos significados para definir qualidade de vida. Vejamos alguns exemplos.

Em primeiro lugar é importante ter em linha de conta que a QDV é considerada uma expressão de bom ajustamento pessoal e um resultado desejável.

Há quem defenda que a QDV é “um estado de bem-estar mental, físico e social e não apenas quando não temos ausência de doença ou incapacidade” (Cramer, 1994). Ou, então, a QDV é “a sensação de bem-estar pessoal, que provém da satisfação ou insatisfação com áreas da vida do quotidiano que são relevantes para esse indivíduo” (Ferrans & Powers, 1993). Mais ainda, a QDV é a “noção/imagem que a pessoa tem acerca da sua posição na vida, no contexto da cultura e do sistema de valores em que vive, e tendo em consideração os seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações” (Orley, 1994).

Tendo em conta que vivemos em tempos pandémicos, vamos falar um pouco sobre a qualidade de vida nas doenças.

A qualidade de vida relacionada com a saúde (QDVRS) segundo os autores Davis e Hui (2017), não consiste na ausência de doença ou de sofrimento, mas sim na resposta aos acontecimentos que afetam a vida da pessoa doente em geral.

Esta tipologia de qualidade de vida (QDVRS) está intimamente dependente de características da doença, dos sintomas e dos tratamentos. Deste modo, a metodologia de avaliação pressupõe, para além dos aspetos que são, normalmente, utilizados em qualquer avaliação de QDV, itens e dimensões que são próprios ou únicos dessa doença e desse tratamento.

É certo que a psicologia é uma ciência recente comparativamente com outras ciências, mas o seu palco de intervenção tem evoluído de forma significativa. Tanto que, a qualidade de vida e a qualidade de vida relacionada com a saúde tornaram-se constructos importantes no sistema de saúde e da promoção da saúde aos tratamentos nos cuidados paliativos (Rablen, 2012).

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