Miguel Silva, psicólogo, escreve semanalmente às terças no LUX24.

O fenómeno que se inicia na meia-idade pressupõe alterações de natureza variada tanto para homens como para mulheres. No sexo masculino, o défice de testosterona pode facilitar a ocorrência de disfunção erétil; no sexo feminino, os sintomas como secura vaginal e sintomas vasomotores poderão ser influenciados pela diminuição de estrogénios endógenos. Portanto, este declínio hormonal, que ocorre com o envelhecimento, está na origem dos conceitos de menopausa e andropausa, e poderá resultar num impacto significativo nas pessoas, a vários níveis.

“Hora da pausa”: menopausa e andropausa.

Bom, meus senhores, sempre ouvi dizer: “primeiro as senhoras”.
Relativamente ao envelhecimento reprodutivo nas mulheres (que começa antes do nascimento), verifica-se uma progressiva perda que resulta em falência reprodutiva. Este fenómeno assinala, portanto, a menopausa (Pimenta & Costa, 2021).

De acordo com o modelo biomédico (Hunter & Mann, 2010), “a menopausa diz respeito à última menstruação da mulher, confirmada após 12 meses de amenorreia (em mulheres que atingem a menopausa naturalmente), e decorre da diminuição da função ovárica”.

Então, a idade é um fator importante?
Sim. Uma vez que a idade se apresenta como um marcador fraco, Harlow et al. (2012) criaram um sistema de classificação por estádios- Stages of Reproductive Aging Workshop.

O momento de passagem para a menopausa tem o nome de perimenopausa e subdivide-se em perimenopausa inicial e perimenopausa final. A primeira, diz respeito a uma variação de sete ou mais dias na duração habitual do período, ou ciclo, menstrual, em que este tempo se apresentará mais longo ou mais curto. A última, de acordo com Pimenta & Costa (2021) poderá durar entre um e três anos e notar-se-á pela “emergência de períodos de amenorreia iguais ou superiores a 60 dias”.

A pós-menopausa, de acordo com os autores supracitados, diz respeito ao tempo que se inicia logo após o último período. Esta também se divide entre inicial e final. A primeira decorrerá num período entre cinco e oito anos e dois anos após a última menstruação, os níveis da hormona-folículo-estimulante (HFE) estabilizam. A última diz respeito até ao final da vida da mulher.

A nível interventivo, a terapia hormonal tem sido indicada como o tratamento mais eficaz para sintomas vasomotores. Concomitantemente, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) tem desenvolvido estudos sobre a sua eficácia na atenuação destes sintomas e os ganhos incluem uma melhoria no humor deprimido, ansiedade, qualidade de vida, funcionamento social, bem como o desenvolvimento de pensamentos mais adaptativos em relação aos sintomas (Garcia & Gómez-Calcerrada, 2011; Green, McCabe, & Soares, 2013; Balabanovic et al., 2012; Pimenta & Costa, 2021).

Sobre a andropausa, este conceito diz respeito a uma fase do ciclo de vida do homem definida por uma diminuição gradual e progressiva da produção de testosterona e que tem habitualmente início na meia-idade (após os 40 anos de idade) (Singh, 2013).

Ainda que existam parecenças entre a menopausa e a andropausa, pois, são ambos processos de transição e alterações na produção de hormonas sexuais, a diminuição da produção de testosterona (também conhecida como Hipogonadismo de Início Tardio) é com frequência confundido com o processo de envelhecimento e, por isso, de difícil diagnóstico (Corona, 2006).

A nível da intervenção, o tratamento de substituição hormonal através da administração de testosterona apresenta-se como a primeira linha de intervenção quando comprovada a deficiência androgénica, com o intuito de restaurar os níveis de testosterona e, por sua vez, manter o desejo e a função sexual.

Grande parte da investigação psicológica e médica sobre o hipogonadismo de início tardio mantém-se focada nos sintomas sexuais, por exemplo, a disfunção erétil, sendo este o principal sintoma que conduz o homem, na meia-idade e idade avançada, a procurar os profissionais de saúde.

Um psicólogo pode ajudar!

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