Miguel Silva, psicólogo, escreve semanalmente às terças no LUX24.

A causa mais frequente de demência é a doença de Alzheimer. Estima-se que esta doença representa 50 a 70% de todos os casos de demência. A incidência e a prevalência da doença de Alzheimer aumentam com a idade, dobrando, aproximadamente, a cada 5 anos a partir dos 60 anos. Após os 85 anos, a prevalência é de 30%. Assim, a idade avançada é o principal fator de risco para esta doença (Scherer & Scherer, 2019).

O médico alemão Alzheimer apresentou um caso de uma mulher de 51 anos com um quadro clínico de défice de memória e perda progressiva de capacidades cognitivas. Em 1906, ao efetuar o estudo do cérebro, encontrou placas neuríticas e tranças neurofibrilares. Quatro anos que mais tarde, em 1910, o psiquiatra alemão Kraepelin, no seu livro “Psychiatrie”, viria a designar a descoberta de Alois como “doença de Alzheimer” (Real & Massano, 2014).

Além da idade avançada, existem outros fatores de risco associados a esta doença. O segundo fator de risco é a história familiar de doença de Alzheimer. A componente genética faz com que o risco de familiares de primeiro grau desenvolverem esta doença seja duplicado. Outros fatores de risco são baixa escolaridade, hipertensão arterial, diabetes, intolerância à glicose na vida adulta, dislipidemia (e.g., nível elevados de lipídios ou gorduras no sangue), obesidade, dieta rica em gorduras saturadas, traumatismo craniano, isolamento social e depressão (Bourgeois, Seaman, & Servis, 2006; Freitas & Py, 2016; Real & Massano, 2014).

Doença de Alzheimer: “a borracha das memórias”.

A presente patologia consiste na perda neuronal com diminuição do número de sinapses (e.g., região de proximidade entre um neurónio e outra célula por onde é transmitido o impulso nervoso), resultando em atrofia cortical.

Por outras palavras, trata-se de uma manifestação sintomática da doença que vai desde o défice cognitivo leve com prejuízo da memória episódica (e.g., experiências pessoais passadas que ocorreram num determinado momento e local), até alterações cognitivas ou modificações comportamentais que atrapalham o funcionamento da pessoa, com perda (pouco a pouco) da autonomia e independência para realizar atividades de vida diária (fase de demência e última etapa da doença de Alzheimer (Price, 2000).

Eis algumas características clínicas clássicas desta doença:

  • Alteração insidiosa e progressiva da memória recente (e.g., informações novas);
  • Com a evolução da doença, as memórias antigas também são afetadas;
  • Alterações na linguagem com desinibição;
  • Perda da capacidade de reconhecer o rosto de familiares (prosopagnosia) e de reconhecer objetos (agnosia);
  • Alterações visuoespaciais;
  • Dificuldades de cálculo;
  • Apraxia;
  • Alterações nas funções executivas.

É normal, no início da doença, o doente não perceber e não valorizar as suas perdas cognitivas.

A avaliação clínica deve ser feita com informações do doente e de familiares. A família possui um papel extremamente importante na partilha de informações sobre se a pessoa está mais esquecida e repetitiva, se não se recorda de conversas, de factos, de planear eventos recentes, e se tem perdido objetos pela casa.

O tratamento da doença de Alzheimer é biopsicossocial e é realizado por uma equipa interdisciplinar (e.g., psiquiatra, neurologista, enfermeiro, fisioterapeuta, terapeuta da fala, terapeuta ocupacional, assistente social e psicólogo).

O contributo da psicologia passa pela psicoterapia de apoio, tanto para o paciente como para os familiares.

Se precisa de auxílio, um psicólogo pode ajudar.

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