O psicólogo Miguel Silva escreve semanalmente no LUX24.

A expressão castigo ou até mesmo a “palmada pedagógica” é muito comum ouvimo-la quando falamos em crianças, comportamento e reforço. Mas, antes de abordarmos se devemos, ou não, castigar as crianças é importante conhecer um pouco mais sobre as raízes desta palavra.

Sabia que a origem do termo castigo remonta a épocas anteriores a Cristo? Efetivamente, através do castigo impunha-se respeito e autoridade em relação aos chefes e reis pelos servos e escravos. O castigo físico era o mais usado na época para afirmar o seu poder, pois, através dele ficava mais fácil demonstrar quem era o chefe e quem tinha que mostrar respeito (Vega, 2021).

Na esmagadora maioria das vezes, as pessoas que utilizam o castigo não aproveitam a situação conflituosa para criar o objetivo de encontrar soluções, mas sim de procurar culpabilizar os outros pelos seus atos. É muito importante refletir para converter a culpa em responsabilidade. O sentimento de culpa além de não ajudar a criança, pode resultar num efeito contraproducente, ou seja, pode criar comportamentos de ressentimento e baixa autoestima.

Antes de avançar para os dois tipos de castigo, uma nota muito importante aos pais. É normal que, após um mau comportamento da criança, os pais reajam de forma impulsiva (isto deve-se à parte mais impulsiva e primitiva do nosso cérebro, o instinto de sobrevivência), no entanto, parar para refletir é, seguramente, melhor solução.

Então, quais são os dois tipos de castigo? Existem dois tipos de castigo, positivo e negativo.

O castigo positivo consiste em que quando ocorre o mau comportamento se proporciona uma consequência ou estímulo desagradável (por exemplo, impor tarefas que a criança detesta realizar ou até o castigo físico). O castigo negativo é responsável por eliminar algo que a pessoa aprecia com o fim de que o comportamento desapareça. A título de exemplo, a criança não come os legumes, então, não há sobremesa favorita. Ou então, dizer à criança «já não gosto de ti», «foste mau», «agora não quero os teus beijinhos». Retirar o carinho não vai ajudar a eliminar o comportamento negativo e pode resultar em que a criança se porte cada vez pior.

Crianças e as alternativas ao castigo.

Tendo em conta as consequências do castigo, vejamos algumas alternativas que podem ser úteis, no entanto, à medida que o pensamento crítico e reflexivo dos pais aumenta, a capacidade de desenvolver as próprias alternativas também melhora.

  1. Esteja presente no momento da birra porque é quando a criança se sente mais confusa e necessita da ajuda da figura de referência/vinculação;
  2. Ensine a criança a expressar sentimentos;
  3. Promova confiança na criança, ofereça colaboração e acompanhamento para que consiga solucionar os efeitos negativos;
  4. Dê tempo para a criança respirar e ser capaz de se recompor se a situação provocou incómodo ou irritação;
  5. Transforme erros em oportunidades, aplique a técnica da tentativa-erro e permita que a criança aprenda com as suas experiências.

Boa leitura e não se esqueça, um psicólogo pode ajudar!

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