O psicólogo Miguel Silva, escreve semanalmente no LUX24.

É certo que estamos a viver num mundo repleto de dias frágeis, incertos, complexos e, paralelamente, de ambiguidade. Dia após dia, estas adversidades criam desafios intensos para as pessoas e não só: também para as empresas. Afinal de contas, as empresas movem pessoas e as pessoas movem as empresas.

Para “sobreviver” a esta síndrome intimamente ligada ao stress crónico, é fundamental possuir as seguintes competências: agilidade, capacidade de adaptação e transformação, e resiliência, de forma a lidar com este exigente cenário (Pimentão, 2019).

A palavra burnout é definida como resposta à exposição a um stress laboral crónico (por exemplo, problemas/dificuldades no local de trabalho), na qual a pessoa sente que não tem estratégias/respostas para lidar com a situação (Teixeira, 2002; Queirós, Gonçalves, & Marques, 2014).

Então, em que medida as empresas movem pessoas e as pessoas movem empresas?

Simples. É extremamente importante que as pessoas e as empresas estabeleçam fortes laços cooperativos e de compromisso.

Em algumas entidades patronais ainda se verifica, infelizmente, alguns exemplos de más práticas para a saúde psicológica (por exemplo, sobrecarga de trabalho; comunicação empobrecida; e liderança disfuncional). Porém, em certas empresas (e.g., empresas autentizóticas) verifica-se uma preocupação crescente com as questões da saúde, bem-estar e felicidade no local de trabalho, em casa e na vida pessoal (Rego, Moreira, Felício, & Souto, 2003).

De acordo com Pimentão (2019), as “empresas autentizóticas são organizações com um perfil que ajudam os colaboradores a promover um equilíbrio entre a vida pessoal e a do trabalho, apostam no desenvolvimento dos seus colaboradores, pautam-se por comportamentos de equidade e justiça e fomentam uma cultura de autenticidade, transparência, colaboração, confiança e compromisso”.

Burnout: quando esgotamos antes do tempo…

Peço a sua atenção para o seguinte exemplo.

Nas palavras de Freudenberger (1974) o burnout é como “falhar, desgastar ou ficar exausto por excessivas solicitações de energia, força ou recursos”. O autor supracitado acredita que, por vezes, “as pessoas são vítimas de incêndio tal como os prédios/edifícios, pois, estão sujeitas ao efeito tensão produzida pelo mundo complexo. Por outras palavras, as estratégias/recursos pessoais consomem-se, como sob ação das chamas, não deixando senão um imenso vazio no interior, ainda que o lado exterior pareça mais ou menos intacto”.

Nesta “corrida contra o tempo”, para que tudo isto seja possível, é fundamental conhecer as pessoas, gostar de pessoas, promover os seus conhecimentos e competências, conhecer e compreender as suas motivações, paixões, os seus sonhos, e os seus constrangimentos. Concomitantemente, é necessário conhecer o valor das pessoas e celebrar as suas conquistas, conhecer bem o contexto de trabalho para entender melhor o impacto que este tem no seu comportamento!

Um psicólogo pode ajudar, mas não só. Você também pode!

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