O psicólogo Miguel Silva, escreve semanalmente no LUX24.

Estimado leitor,

Já parou para pensar na seguinte questão: “Por que beijamos de olhos fechados”?

Recorda-se da atriz Ingrid Bergman? Ou, então, do filme “Notorious” que estreou no ano de 1946?

Pois bem, a atriz acreditava que “um beijo é uma maneira adorável da natureza humana interromper a fala quando as palavras se tornam supérfluas”.

Mais ainda, sabia que entre 1930 e 1968, as “cenas de paixão” eram muito restritas e os beijos tinham um tempo de antena muito limitado a segundos? Sim, é verdade. Nesse filme, o beijo com maior duração de tempo foi de quase três minutos (com os olhos fechados, claro!).

A ciência psicológica afirma que beijar de olhos fechados permite que os cérebros se concentrem, especificamente, nesta tarefa.

De acordo com um estudo científico, sobre os sentidos humanos, levado a cabo por Murphy e Dalton (2016), a consciência da nossa sensibilidade de toque depende do nível percetivo naquele momento. Por outras palavras, fechamos os olhos para focar a nossa atenção na sensação do toque (por exemplo, o toque dos lábios).

Até mesmo para aquelas pessoas que se consideram multitarefas, ou seja, que são capazes de mexer no telemóvel e falar com alguém ao mesmo tempo (não é uma tarefa fácil, pois, isto exige que você mude rapidamente o seu foco de atenção), é difícil para o nosso cérebro concentrar-se em dois sentidos humanos diferentes ao mesmo tempo.

Fechar os olhos aumenta, portanto, os recursos mentais para focar a atenção noutros aspetos da nossa experiência.

O beijo é um gesto, evidentemente, físico e íntimo. Para que o nosso cérebro desfrute, na totalidade, da intensidade e da sensação, os nossos olhos devem estar fechados para concentrar toda a atenção na experiência.

Assim, para terminar, eis três curiosidades sobre o beijo.

Sabia que…

  1. Os homens que beijam as suas esposas, todas as manhãs, antes de saírem para o trabalho vivem cinco anos a mais do que aqueles que não beijam? (Barker, 2014);
  2. Em média, as pessoas passam cerca de 336 horas a beijar;
  3. Não há duas impressões labiais iguais;

Um psicólogo pode ajudar.

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