O psicólogo Miguel Silva, escreve semanalmente no LUX24.

Já ouviu falar na palavra alexitimia? De acordo com Gomes (2019), este conceito pode surgir como estado ou traço de característica de personalidade. Concomitantemente, define-se pela dificuldade para identificar e descrever emoções da própria pessoa (Sifneos, 1973).

Portanto, estamos a falar de uma desordem ao nível da regulação do afeto que, por sua vez, tem sido associada a vários problemas de saúde mental e física (por exemplo, doença cardíaca coronária; hipertensão; psoríase e doenças psicossomáticas) (Kojima, 2012; Beresnevaite, Taylor, & Bagby, 2007; Torres-Hernandez, Lopez-Garcia, Pedroza-Escobar, & Escamilla-Tilch, 2015).

Evidências científicas demonstram que as caraterísticas principais deste estado/traço de personalidade são as seguintes:

  1. Dificuldade em identificar sentimentos e sensações corporais;
  2. Dificuldade em descrever sentimentos para outras pessoas;
  3. Processos imaginários constrangidos, evidenciados pela escassez de fantasias;
  4. Um estilo cognitivo orientado por estímulos (literal, concreto, utilitário).

Indivíduos que sofrem de alexitimia têm dificuldade na autorregulação emocional, estando fortemente associado um défice ao nível das competências sociais e dificuldade na expressão de emoções. Além disso, verifica-se um acréscimo nas dificuldades de mentalização prejudicando a capacidade de perceber que cada sujeito tem os seus próprios pensamentos e sentimentos, separados dos pensamentos e sentimentos das outras pessoas.

Então, quais são as (possíveis) principais consequências relacionadas com as emoções?

Bom, tendo em linha de conta que uma pessoa alexitímica apresenta dificuldades na compreensão das emoções, as principais consequências assentam em construir e manter relações íntimas com os outros e utilizar adequadamente os apoios sociais para se proteger das influências perigosas de momentos/acontecimentos indutores de stresse (Kaplan, 2013).

Sabia que pessoas que experienciaram momentos de grande stresse revelam um nível mais elevado de alexitimia?

Certos investigadores acreditam que a alexitimia é dependente do estado da pessoa e desaparece após a situação stressante. Outros investigadores acreditam que a alexitimia é um traço psicológico duradouro que não altera ao longo do tempo e permanece persistente devido a defeitos neurológicos (Fukunishi, Kikuchi, Wogan, & Takubo, 1997; Heinzel et al., 2012).

Efetivamente, existe uma ligação entre sintomas emocionais negativos, como depressão, ansiedade e desesperança com a alexitimia. Esta pode ser considerada um fator de risco para o suicídio, estando associada a um aumento de sintomas depressivos (Antoine, & Manouvrier, 2011).

A maneira como a pessoa desenvolve caraterísticas alexitímicas e o modo como estas afetam a sua saúde ao longo do curso da vida precisa ainda de ser bem estudada e esclarecida.

Um por todos, todos pela ciência. Um psicólogo pode ajudar!

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