O psicólogo Miguel Silva escreve semanalmente no LUX24.

No passado dia 01 de junho de 2022 celebrou-se o Dia Mundial da Criança e hoje vamos falar sobre infância.

De acordo com Fernandes (2019), a infância é tão antiga quanto a humanidade. Da mesma forma que a humanidade foi-se moldando de características bem destintas ao longo dos séculos, a infância, ao longo dos tempos, foi assumindo marcas de invisibilidade, divergência e heterogeneidade, entre outras características.

Na obra intitulada como “Infancia y poder: La conformación de la pedagogia moderna do autor Narodowski (1994), podemos constatar que a infância não é um fenómeno natural, mas sim histórico, devendo ser compreendida, no Ocidente, a partir de características como a heteronomia, a dependência em relação ao adulto em troca de proteção.

Assim, na década de 90 do século xx, com o avanço da sociologia da infância, surgem novas perspetivas, novas visões, sobre as crianças e a infância, nomeadamente, a defesa da ideia de que a criança é um ser social ativo, com direitos, participativo e com voz (Sarmento, 2005).

Partindo deste ponto de vista e com base na evidência científica, a infância não é uma categoria universal, mas sim uma construção social.

É necessário, pois, ter em linha de conta perspetivas sobre as crianças e a infância contextualizadas de forma histórica, social e política. Uma das consequências que daqui advém diz respeito, tal como mencionado anteriormente, às muitas perspetivas que podem surgir sobre este tema (infância), considerando que as crianças são um grupo social influenciado por relações de poder com outros grupos sociais e que a infância dever ser apelidada de um acontecimento socialmente construído num determinado tempo e espaço (James & James 2004).

Estou certo de que devemos estar atentos aos pormenores das infâncias individuais e às questões geográficas, históricas e sociais. Mais ainda, nos termos da lei, onde a criança é contextualizada do ponto de vista político, social e histórico específico, urge a necessidade de atribuir à categoria geracional infância um estatuto político diferenciado e renovado.

As crianças são autores no próprio processo de construção de conhecimento acerca de si mesmas. E já sabe, um psicólogo pode ajudar!

 

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