Miguel Silva, psicólogo, escreve semanalmente às terças no LUX24

Amor… Um sentimento que nos acompanha há muito tempo seja em relações simétricas (e.g., de casal) como em relações de vinculação em que um dos parceiros tem mais recursos enfatizando a proteção e prestação de cuidados.

Será este sentimento um conto de fadas como as lendas e romances de amor que nos acompanharam desde a infância? A resposta é não. Pare e pense um pouco. Se viajarmos até à cultura ocidental e remontarmos à famosa história de Romeu e Julieta, verificamos que é um excelente exemplo de uma relação romântica. Não estamos a falar de amor, mas sim de paixão romântica!

Assim, facilmente evocamos estes três conceitos: “amor”, paixão” e “desejo”. De acordo com uma investigação levada a cabo pela psicóloga norte-americana Dorothy Tennov (1970), a paixão pode ter uma duração média de 18 a 24 meses. Atualmente, considero que estes dados são questionáveis dado que as “pegadas” do amor sofreram um desvio abrupto, ao longo das décadas, tendo em conta as novas formas de vida e as novas tecnologias de comunicação na vida dos adolescentes.

O conceito de amor vai mais além do mero sentimento que dorme no coração e acorda no cérebro. À luz da psicologia, o amor tem as suas próprias componentes e possui um caminho dividido em três etapas.

Portanto, em relação às componentes do amor, antes de as referir é necessário ter em linha de conta que estas assentam numa base dogmática sobre certas qualidades que são importantes para a sua sobrevivência e bom desempenho (Redondo & Veja, 2018).

Então, as componentes do amor são: a paixão; a intimidade; a decisão/ o compromisso; e a história. Recentemente, os números das componentes do amor aumentaram e foram introduzidos novos elementos constitutivos do comportamento amoroso, a saber: uma escolha acertada do parceiro/a, atração, satisfação sexual, projeto partilhado, compromisso, personalidade, afeto, comunicação, companhia, colaboração, reconhecimento, recursos, capacidades e motivação para resolver os problemas e pedir perdão, e generosidade para perdoar (Caldas, 2019).

Deste modo, estou certo que o difícil não é conquistar, mas sim manter a relação. Esta descrição das componentes do amor é essencial para ajudar a distinguir os sentimentos de amor e de paixão. Paralelamente, torna-se particularmente importante para ajudar a pessoa a decidir se está preparada para dar o “próximo” passo.

Bom, já temos os “ingredientes”. Resta-nos agora “saborear” o caminho do amor. A primeira etapa pressupõe estar apaixonado e querer conquistar. A segunda etapa pressupõe sair da zona de conforto e lutar contra o desejo de querer permanecer eternamente apaixonado.

Nesta etapa a realidade é outra, pois, é necessário tomar uma decisão: em que direção avançar. Para tal, é necessário um projeto de vida e tomar a decisão de o partilhar com a pessoa amada.

Por fim, a terceira etapa consiste em começar uma nova vida enquanto casal na certeza que o mais importante é partilhar com o/a parceiro/a mais tempo do que aquele de que se dispunha antes.

Vamos deixar as “pegadas” do amor viverem eternamente no tempo e criar novas recordações com quem mais amamos para reforçar os vínculos no amor e construir uma relação sólida. Seja qual for a sua etapa do caminho do amor, o mais importante é refletir sobre as suas componentes.

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