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Seja bem-vindo(a) à rúbrica “Confortável Mente”. O LUX24 e o psicólogo Miguel Silva tomaram a liberdade de criar um espaço íntimo e confortável para esclarecer as suas dúvidas/questões relacionadas com a área da psicologia. Estas são as primeiras perguntas e respostas. No final do texto saiba como participar de forma anónima.

- Quando alguém morre, tenho medo. Quer seja de família, ou alguém que veja na net ou televisão. Quando estou sozinha, sinto medo e parece que alguém me segue tipo sombra. Que é que posso fazer para ultrapassar este medo?

Em primeiro lugar, gostaria de informá-lo/a que a morte faz parte do desenvolvimento humano sendo tão natural como o nascer. Atualmente, entende­-se a morte como um fenômeno progressivo capaz de criar reações emocionais tanto no indivíduo que está morrendo como naqueles que estão a sua volta. Assim, o processo de morte gera um processo de luto.

Relativamente à questão do medo, este é um excelente exemplo de reação emocional. A Associação Americana de Psicologia (APA, 2014) define o medo como “antecipação apreensiva de perigo ou desgraça futura, acompanhada por um sentimento de preocupação, sofrimento e sintomas somáticos de tensão.”. Nas perturbações de ansiedade podemos encontrar, entre outras, a perturbação de pânico (e.g., considerada como um surto abrupto de medo intenso ou desconforto intenso acompanhado de pensamentos ou imagens intrusivos e indesejados).

O que pode fazer para ultrapassar esse medo é começar por aceitar que não está ao nosso alcance sentir ou deixar de sentir medo. O que depende da nossa vontade (cérebro consciente) é a determinação com que enfrentamos o medo. “Não é corajoso quem nada teme, mas quem aprende a enfrentar os seus medos e a superá-los (Aristóteles)”. Escreva numa folha os pensamentos intrusivos e depois procure evidências (provas) que suportem, ou não, esses pensamentos. Um psicólogo pode ajudar.

- Na minha opinião, acho que muitas pessoas não sabem o verdadeiro conceito de um psicólogo. Nem o momento, que deveriam procurar um psicólogo para obterem ajuda. E até mesmo qual a função de um psicólogo clínico. Por isso, deixo uma dica de abordar o seu trabalho para que as muitas pessoas que ainda acham que ir ao psicólogo é para “tolos” é uma verdadeira barbaridade e que todos deveríamos ter acesso de saúde para o nosso bem-estar. Obrigada.

- De facto, uma das grandes fragilidades da Psicologia reside na coexistência de demasiadas interpretações diferentes acerca das mesmas realidades, inúmeras vezes dispersas e incongruentes. De acordo com Ricou (2014) “a Psicologia Clínica integra a prática e a teoria da ciência psicológica para compreender, predizer e avaliar perturbações e desajustamentos individuais, bem como promover o desenvolvimento e a adaptação pessoais. Assim, centra-se nas componentes intelectuais, emocionais, biológicas, psicológicas, sociais e comportamentais do funcionamento humano através do seu ciclo de vida, nas suas diferentes culturas e níveis socioeconómicos. Desta forma, o psicólogo clínico trabalha diretamente com os indivíduos em qualquer período do seu desenvolvimento, isoladamente ou em grupo, utilizando uma variedade de métodos de intervenção e de avaliação com vista à promoção da saúde e ao alívio do desconforto e da inadaptação.”.

- Falar do suicídio…

- O termo suicídio aplica-se quando uma pessoa pretende causar voluntariamente a própria morte, ou seja, pôr termo à própria vida. Portanto, nos indivíduos com ideação suicida, a probabilidade de desenvolver um plano e de o pôr em prática é maior durante o primeiro ano em que esta se inicia. Paralelamente, associadas ao comportamento suicidário encontram-se associadas a perturbação de controlo de impulsos e a perturbação do humor (nomeadamente a depressão) (Baptista & Neto, 2019).

A vida está cheia de tabus e o suicido é só mais um. A dor de viver com uma dor psicológica, torna-se cada vez mais intensa devido à falta de intervenção. Quando falo em intervenção refiro-me à importância da educação sobre, por exemplo, as emoções. Outro tabu que carece de educação é a morte. “Quando existe um falecimento numa família, escondemos isso das crianças, em vez de dizer que a pessoa morreu. Apesar de ser um fenómeno natural, nós dizemos que a pessoa está “numa estrelinha” – algo que não tem lógica absolutamente nenhuma. Pela estruturação da personalidade, essa criança ao atingir o estado adulto irá continuar a rejeitar os problemas relacionados com a morte” (Costa,2018).

Com efeito, o suicídio ocupa a 14.ª posição como causa de morte em todo o mundo, representando 1.5% de todas as mortes, variando as taxas de suicídio significativamente entre países e entre regiões.

De forma a confortar a sua mente neste tempo tão difícil de pandemia COVID19, e sem sair do seu sofá, poderá participar, de forma anónima, com as suas questões através do link: https://tellonym.me/cabinetdepsychologie.

Este processo e a sua participação decorrem de forma ANÓNIMA, pois, para além de todo o respeito pela sua privacidade, sabemos o quantas vezes é incómodo dar a cara, num assunto mais íntimo ou tabu.

As respostas serão publicadas em jeito de artigo no LUX24 e na página da rede social Facebook do Cabinet de Psychologie Dr. Miguel Silva, sempre forma anónima e com uma periodicidade quinzenal, às quintas.

A sua dúvida pode ser a dúvida de alguém.

Não hesite, sinta-se confortável para esclarecer todas as suas questões.

Sinta-se… “Confortável Mente”.

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