Prepare-se para assistir a uma longa-metragem com produção associada entre a Austrália e os Estados Unidos da América que assinala a estreia na realização de Natalie Erika James (destacou-se com a curta-metragem ”Creswick”, 2017) a qual narra a história sobre uma idosa que desaparece inexplicavelmente da sua remota casa fazendo com que a sua filha e neta regressem para encontrá-la, deparando-se com vários traços da crescente demência na sua matriarca.

Trata-se de uma pelicula inquietante e frustrante sobre uma patologia que prolifera assente no acelerado envelhecimento da população mundial que, pouco antes da pandemia, se tornou num dos principais desafios de saúde pública da actualidade.

Uma ilustração cinematográfica de terror sob a patente de casa assombrada (a última coisa que resta à idosa), memórias fragmentadas, amor e pavor sobre um espaço que se tornou estranho   e emocionalmente devastador!

Sinto-me absolutamente compelido a destacar o sublime trabalho de Prosthetic Makeup (processo de usar técnicas de modelagem e fundição protética criando também efeitos cosméticos avançados como aplicações tridimensionais de lesões severas, envelhecimento a todos os tipos de criaturas) executado por Danielle Ruth (destacou-se no filme “Hail”, 2011. De salientar também o impressionante trabalho de Tristan Lucas (sobressaiu no filme “Blood Vessel”, 2019) que é um especialista em aplicações de espuma de látex para próteses, peles, fatos de silicone e acabamentos artísticos na aplicação protética que cria um grande impacto no acto final de Relic mudando realmente a aparência do personagem!

O melhor do filme está reservado aos momentos em que a narrativa funciona como retrato incisivo e comovente de uma família a reagir a tudo o que está a testemunhar.

Esta bem-sucedida longa-metragem, até mesmo dolorosa, está intrinsecamente ligada à capacidade que a realizadora Natalie Erika James teve em imprimir a demência enquanto um alicerce de horror no grande ecrã revelando-se como uma ideia intrigante.

O trio de actrizes liderado por Robyn Nevin (destacou-se no filme “Careful, He Might Hear You”, 1983) dá corpo e alma à matriarca, Emily Mortimer (sobressaiu no filme “Lovely & Amazing”, 2001) encarna o papel de filha que estampa o desespero no seu rosto e Bella Heathcote (evidenciou-se no filme “Not Fade Away”, 2012) como neta, pincelam a perplexidade e rápida adaptação à dor que o imprevisto do que é perder o senso de identidade lhes provoca, mapeando as emoções de gerações de mulheres, para além de um desempenho altamente emocionante e comprometido!

Pedro Cunha
Pedro Cunha, escritor e cineasta, escreve semanalmente às sextas no LUX24.

É incontornável referir o notável trabalho executado pelo director de fotografia Charlie Sarroff (destacou-se na curta-metragem “We’ve All Been There”, 2013). Ele contribui decisivamente em manter o espectador próximo dos personagens, fornecendo-nos os recursos para investir nesta história até ao fim e, a iluminação fraca auxilia na criação do pavor que é estampado desde o início do filme.

Relic teve a sua estreia mundial no Sundance Film Festival no passado dia 25 de janeiro de 2020, destacando-se entre as várias nomeações como melhor filme a no Sitges Film Festival que encerrou o seu certame no passado domingo 18 de outubro de 2020 (Official Fantàstic Competition) com Natalie Erika James a ser distinguida com uma menção especial pela realização!

O filme foi igualmente lançado em sala (de forma limitada) no passado dia 3 de julho de 2020 nos Estados Unidos da América pela IFC Midnight e a 10 de julho na Austrália no serviço de streaming “Stan”.

Bom filme!

Pedro Cunha

 

Assista aqui ao trailer:

 

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