Bruno Gonçalves Gomes, dirigente da Associação Letras Nómadas AIDC, escreve quinzenalmente no LUX24. FOTO: Sérgio Aires

Confesso que a magia do futebol voltou a atrair-me nos últimos anos, pois após a falecimento do meu pai, um portista ferrenho, fui-me afastando de alguma forma do futebol pois trazia-me recordações com um misto de enorme saudade do meu pai.

Apesar de me considerar um adepto portista com muito fair play e acima de tudo brincalhão com os amigos e conhecidos volto-me a dececionar ainda mais com o futebol, não o que se pratica nas quatro linhas, mas o futebol envolvente fora delas, onde assistimos todos os dias à decadência dos adeptos, ao fanatismo, à violência, ao poder das claques dos clubes que carregam com elas uma enorme espécie de simbolismo e prática de violência ao serviço de movimentos políticos que todos os dias destilam ódio quer através do racismo como da xenofobia.

Desgraçadamente assistimos há uns dias ao fanatismo exacerbado de uma parte da claque turca do Fenerbache pelo mau perder no jogo contra a equipa ucraniana Dínamo de Kiev.

São idiotas os que gritaram Putin repetidamente para humilhar e provocar a equipa ucraniana, os profissionais ao serviço daquele clube, alguns deles, que certamente já perderam familiares para o ditador louco do Putin, um nojo…

Ontem, Jorge Nuno Pinto da Costa, um grande vencedor diga-se o que se disser, continua a espicaçar os seus adversários usando narrativas de competição foleira e desnecessária, usando o regionalismo e o centralismo de Lisboa como grandes inimigos do norte e do FC Porto.

O discurso do Pinto da Costa está um pouco gasto embora continue a alimentar muita gente que insiste em ver Lisboa um território inimigo.

O futebol não pode fazer isso, não pode dividir um país, tem que unificar e não pode ser a seleção nacional a lufada de ar fresco pontual.

Também não podemos aceitar que há ódios do sul para o norte e para o Porto, a comunicação social sediada em Lisboa, sobretudo a comunicação social brejeira já assumiu que os shares aumentam quando alimentam a guerra entre clubes do norte e de Lisboa.

Peço desculpa mas não posso deixar de dizer que idiotas são os que se deixam levar por estas conversas e há décadas que se viram costas continuadamente.

Basta ver alguns jornais desportivos que no dia da final da Supertaça entre o FC Porto e Tondela têm como destaques de primeira página a lesão do guarda-redes do Sporting ou o rumor da contratação de um jogador para o SLB.

O governo apesar de ter que garantir as liberdades tem que estar atento a estes acontecimentos, a estas guerras que promovem ódios que não se justificam, não vale tudo no futebol…

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