Bruno Gonçalves Gomes, dirigente da Associação Letras Nómadas AIDC, escreve quinzenalmente no LUX24. FOTO: Sérgio Aires

Esta semana estive envolvido com enorme prazer enquanto júri na seleção de duas vagas de estágio profissional promovido pelo PÚBLICO, com o apoio financeiro da Rede Aga Khan, iniciativa que se dirigiu a jornalistas em início de carreira ou finalistas do curso de Comunicação Social pertencentes a comunidades étnico-raciais menos representadas nas equipas de jornalistas em Portugal.

Por reconhecer a falta de diversidade social na redação e outros órgãos de comunicação o Jornal Público decidiu que estava mais que na hora de assumir que a pouca representação de profissionais da comunicação social pertencentes a minorias étnicas é uma realidade e para tal abriu um concurso de duas vagas de estágio profissional para jornalistas de minorias étnicas.

De 31 de Março a 21 de Abril o concurso recebeu 32 candidaturas, enquanto júri posso confessar que foi extremamente difícil selecionar os 7 candidatos que foram às entrevistas presenciais, imaginem porque terá sido tão difícil!? Claro, a qualidade era enorme!

As entrevistas presenciais ainda foram mais difíceis, presencialmente fiquei fascinado com as competências dos sete candidatos, o quão difícil é ter a responsabilidade de selecionar quando a qualidade abunda!

O júri foi composto por três elementos do PÚBLICO — a directora adjunta Andreia Sanches, a editora da Sociedade Rita Ferreira e a jornalista Joana Gorjão Henriques —, pela jornalista Carla Fernandes, fundadora do Podcast Afrolis, e por mim Bruno Gonçalves dirigente da associação Letras Nómadas que escolheram a Júlia M. Tavares, afrodescendente, licenciada em Novembro de 2021 pela Universidade Católica Portuguesa (centro de Braga), em Ciências da Comunicação; e Vanessa Lopes, portuguesa cigana, licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade Autónoma de Lisboa, em Julho de 2021.

As duas jovens irão estagiar no PÚBLICO durante seis meses, com uma remuneração financiada pela Rede Aga Khan para o Desenvolvimento (AKDN) e a supervisão da equipa de jornalistas da casa.

Acredito que é um passo importante para alterar neste país o paradigma da pouca representatividade de profissionais pertencentes a minorias étnicas nas redacções dos órgãos de comunicação social, os dois estágios para profissionais pertencentes a minorias étnicas que o jornal PÚBLICO e a Rede Aga-Khan promovem são um acto de coragem e uma oportunidade para colocar na ordem do dia a necessidade de haver mais representatividade de minorias étnicas nas várias esferas da sociedade diversa e multicultural que é este país.

Concordo totalmente com o que a directora-adjunta Andreia Sanches que referiu no Publico de 6 de Maio de 2022: “Uma visão mais plural da sociedade é essencial para a qualidade do jornalismo. Este programa de estágios é um contributo para promover uma cultura de diversidade. Este programa de estágios é um contributo para promover uma cultura de diversidade”.

A sociedade tem que despertar e ser realista, há demasiado privilégio branco, a sociedade portuguesa sempre foi multicultural, há que reparar séculos e séculos de ostracismo e de invisibilidade a que as minorias étnicas foram vetadas, está na hora de construir políticas que contrariem de alguma forma a sub-representatividade em todas as esferas da sociedade das pessoas das minorias étnicas.

As quotas ou as medidas de afirmação positiva não podem ser desvalorizar os profissionais que entram por estas vias, há que os valorizar porque os pontos de partida são normalmente diferentes, por uma questão de equidade e até que se normalize a representatividade das minorias étnicas, que venham quotas ou as medidas de afirmação positiva!

Aos candidatos, só encontro estas palavras: que classe! Como dizia um dos candidatos, estas vagas não são ‘esmolas’, não são mesmo, porque o potencial dos candidatos/as é enorme! Foi um orgulho ser júri.

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