Bruno Gonçalves Gomes, dirigente da Associação Letras Nómadas AIDC, escreve quinzenalmente no LUX24. FOTO: Sérgio Aires

Menos de um mês restam para as eleições locais, caberá ao povo eleger os seus candidatos para as câmaras municipais, assembleias municipais e de freguesias.

As eleições autárquicas são extremamente importantes, pois joga-se o futuro da nossa cidade, vila, aldeia, rua ou até bairro. É verdade que se vive tempo de descredibilização dos políticos seja à escala local ou nacional. Mas há que fazer um esforço e tentar não generalizar, há de fato políticos interessados em zelar e aumentar a qualidade de vida e até empenhados em desenvolver das suas localidades.

Realmente o discurso e estratégias de venderem “o seu peixe” continua pouco inovador, o discurso é velho e cheio de promessas que se repetem de eleição para eleição e sem concretização à vista.

Os executivos municipais ou de freguesias têm usado a pandemia como fator para desculpabilizar as promessas e obras não cumpridas ou então as culpas caem na falta de empenho ou apoio do governo.

A habitação, a mobilidade e o ambiente nunca estiveram tanto na ordem do dia nos programas eleitorais dos partidos sobretudo nas grandes cidades. Sem dúvida que estes temas são urgentes, a pandemia do covid-19 apesar de ser democrática no contágio, o seu impacto foi desigual na vida das famílias mais frágeis economicamente.

Os censos comprovam que as grandes cidades perdem população todos os anos porque o acesso à habitação é cada vez mais difícil evitando assim fixação dos jovens nas cidades.

A falta de habitação social é de fato um enorme problema à escala nacional, Portugal é dos países da europa com menos investimento neste tema, tem apenas 2% de parque habitacional social, insuficiente para tanta carência.

Urge no tema da habitação a necessidade de transformar o conceito do padrão de construção de bairros sociais, certamente que não é preciso construir bairros sociais de raiz, é preciso requalificar e reabilitar edifícios municipais ou estatais, comprar casas a privados e assim evitar os guetos que muitas vezes os bairros sociais se transformam…

O problema da falta de transportes públicos eficazes, a necessidade de redução da circulação automóvel dos centros das cidades são sem dúvida prioridades para precaver problemas ambientais.

As perguntas que ficam:

Como atrair e fixar sobretudo jovens nas cidades? Como atrair Investimento que crie emprego? Como apoiar as famílias mais carenciadas? Como tornar as localidades mais salubres?

Não quero acreditar na retórica de “vira o disco e toca o mesmo”! Creio que há pessoas, que apesar de estarem numa condição de políticos sentem efusivamente as suas cidades, vilas ou aldeias e desejam aumentar a qualidade de vida dos seus conterrâneos.

Há uns meses ouvi de um presidente de câmara algo que me deixou intrigado, um apaixonado pela sua terra que não se coibiu de me dizer que o que menos gostava na sua experiência autárquica era o excesso de política.

Esperamos que as nossas escolhas nas urnas possam eleger homens e mulheres apaixonados pela terra, pelo bem-estar dos seus concidadãos e que deixem de lado os excessos na política que por vezes estancam o desenvolvimento do território e da qualidade de vida das pessoas.

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