O primeiro-ministro, António Costa, fala durante a apresentação pública dos resultados da segunda fase do concurso das Agendas Mobilizadoras do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) no pavilhão do Conhecimento em Lisboa, 21 de junho de 2022. TIAGO PETINGA/LUSA

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, indicou hoje que agradeceu ao primeiro-ministro português, António Costa, o apoio de Portugal para a atribuição à Ucrânia do estatuto de candidato à adesão à União Europeia (UE).

“Tive uma conversa com o primeiro-ministro António Costa. Agradeci-lhe o apoio de Portugal para a atribuição à Ucrânia do estatuto de candidato à adesão à UE. Concordámos usar a experiência de Portugal na nossa aproximação à UE”, escreveu Zelensky na rede social Twitter.

No Conselho Europeu de quinta e sexta-feira, em Bruxelas, os chefes de Estado e de Governo da UE deverão tomar uma decisão sobre o parecer de 17 de junho da Comissão Europeia, que recomenda a atribuição do estatuto de país candidato à adesão à Ucrânia, assim como à Moldávia.

No mesmo dia, conhecida a recomendação do executivo comunitário, António Costa adiantou que Portugal vai acompanhá-la, mas advertiu também que um alargamento da UE vai exigir uma reflexão sobre a “futura arquitectura institucional e orçamental”, e disse esperar que todos estejam conscientes desse caminho colectivo.

“Esta perspectiva de futura integração, não só da Ucrânia e da Moldávia, mas também dos países dos Balcãs ocidentais, exige uma reflexão sobre a futura arquitectura institucional e orçamental da União Europeia, de forma a criar boas condições para termos uma UE forte, unida, capaz de cumprir os seus objectivos e acolher novos países candidatos”, defendeu.

Menos de uma semana após o início da invasão pela Rússia, a 24 de fevereiro, a Ucrânia apresentou formalmente a sua candidatura à adesão, e, no início de abril, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, entregou em mão, em Kiev, ao Presidente ucraniano o questionário que as autoridades ucranianas entretanto preencheram e remeteram a Bruxelas, aguardando agora ansiosamente pelo ‘veredicto’ europeu.

Em março, Moldávia e Geórgia, outros dois países que se sentem particularmente ameaçados pela Rússia, também apresentaram as suas candidaturas, tendo a Comissão Europeia recomendado que seja concedido também estatuto de país candidato à Moldávia, enquanto para a Geórgia considera serem necessários “mais passos”.

A ofensiva militar lançada pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 15 milhões de pessoas de suas casas – mais de oito milhões de deslocados internos e mais de 7,7 milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Também segundo as Nações Unidas, cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.

A ONU confirmou que 4.597 civis morreram e 5.711 ficaram feridos na guerra, que hoje entrou no seu 118.º dia, sublinhando que os números reais poderão ser muito superiores e só serão conhecidos quando houver acesso a zonas cercadas ou sob intensos combates.

ND com Lusa

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