Burnt cars are seen in front of a damaged residential building, following a Russian strike in the town of Vyshgorod on the outskirts of Kyiv on November 23, 2022, amid the Russian invasion of Ukraine. - Russian strikes across Ukraine battered the country's already failing electricity grid, leaving several dead, disconnecting three nuclear power stations from the grid and spurring "massive" blackouts in neighbouring Moldova. (Photo by Genya SAVILOV / AFP)

O Alto Representante da União Europeia (UE) para a Política Externa, Josep Borrell, denunciou hoje a vaga de ataques russos contra infra-estruturas ucranianas que provocaram um “apagão massivo” na vizinha Moldávia.

Condenação firme dos renovados ataques criminais da Rússia contra civis e infra-estruturas na Ucrânia. Apagões massivos, também na Moldávia“, criticou o chefe da diplomacia europeia numa mensagem publicada nas redes sociais.

O representante europeu definiu de “cruel e desumano” deixar milhões de pessoas sem água, electricidade ou aquecimento durante o inverno e afirmou que face às acções russas, a UE manterá o seu apoio à Ucrânia e à Moldávia, este último considerado como o país mais pobre da Europa.

Em junho passado, juntamente com a Ucrânia, a Moldávia tornou-se candidata à adesão à UE.

A Moldávia registou hoje um “apagão massivo” na sequência de uma nova vaga de ataques efetuados pelas forças russas sobre a vizinha Ucrânia e que voltaram a atingir infra-estruturas energéticas, indicou o Governo moldavo.

O vice-primeiro-ministro Andrei Spinu, responsável pelas infra-estruturas desta pequena ex-república soviética, afirmou que a empresa que gere a rede “está a trabalhar para que mais de 50% do país volte a ser ligado à electricidade”.

Segundo os ‘media’ locais, entre as cidades mais afectadas pelos apagões inclui-se a capital Chisinau.

ONU fala em 30 vítimas civis entre mortos e feridos e milhões sem luz e aquecimento na Ucrânia

Novos ataques russos na Ucrânia fizeram 30 vítimas civis, entre mortos e feridos, e deixaram hoje milhões de pessoas sem electricidade, acesso a água e aquecimento, quando se registam já temperaturas negativas nalgumas regiões, segundo as Nações Unidas.

Um balanço feito pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês) indica que a escalada de ataques deixou completamente sem electricidade regiões como Lviv, no oeste, Zaporijia e Odessa, no sul, e Chernihiv, no norte.

Os apagões estão também a afectar grandes partes das regiões centrais de Vinnytsya e Dnipro, Khmelnitsk, mais a oeste, Kharkiv e Sumi no nordeste, Mykolaiv no sul e a capital, Kiev.

Rescuers clear debris of the destroyed two-storey maternity building in the town of Vilnyansk, southern Zaporizhzhia region, on November 23, 2022, amid the Russian invasion of Ukraine. (Photo by Katerina Klochko / AFP)

Em Kiev, toda a população – estimada em cerca de três milhões de pessoas – ficou hoje sem água, e as autoridades informaram que estão a trabalhar 24 horas por dia para restabelecer o abastecimento, o que também aconteceu em partes de Odessa.

Os ataques atingiram, além de infra-estruturas, edifícios residenciais em Kiev e nas cidades de Chabany e Vyshhorod, nos arredores da capital, e as autoridades confirmaram que pelo menos 30 civis foram mortos ou feridos nas três localidades.

Na região de Zaporijia, há relatos de um recém-nascido morto devido a um ataque aéreo que atingiu uma maternidade em Vilniansk, e de crianças mortas e feridas nos distritos de Kherson e Berislav.

Os ataques também atingiram pessoas que tentavam receber ajuda, quando uma instalação governamental em Zaporijia, usada por voluntários para distribuir mantimentos, foi atingida, matando e ferindo alguns civis que ali se encontravam, refere o balanço da OCHA.

As equipas de assistência humanitária na Ucrânia estão a trabalhar para apoiar as pessoas que enfrentam os desafios impostos pela crise energética, que já era grave e agora piorou com a nova vaga de ataques de hoje.

Nas últimas semanas, mais de 430.000 pessoas receberam algum tipo de assistência directa para enfrentarem o inverno, e quase 400 geradores foram entregues pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), pela UNICEF, pela Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) para garantir energia em hospitais, escolas e outras instalações críticas.

Rescuers clear debris of the destroyed two-storey maternity building in the town of Vilnyansk, southern Zaporizhzhia region, on November 23, 2022, amid the Russian invasion of Ukraine. (Photo by Katerina Klochko / AFP)

O Governo informou a população de que foram estabelecidos mais de 4.000 pontos de aquecimento em todas as regiões da Ucrânia, e as Nações Unidas e os parceiros humanitários estão a fornecer abastecimentos a essas instalações.

De acordo com o Ministério da Energia, falhas temporárias de energia afectaram todas as centrais nucleares ucranianas.

Os ataques de hoje ocorreram horas depois de o Parlamento Europeu ter aprovado uma resolução declarando a Federação Russa como “estado patrocinador do terrorismo“, afirmando que ataques deliberados e atrocidades cometidas contra a Ucrânia violam os direitos humanos e o direito humanitário internacional.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas – mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,8 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.595 civis mortos e 10.189 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

ND com Lusa 

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