Vassily Nebenzia, Permanent Representative of Russian Federation, addresses the Security Council meeting on maintenance of peace and security in Ukraine. (PHOTO © UN Photo / Ariana Lindquist)

A Rússia vetou hoje, como esperado, uma resolução apresentada pelos Estados Unidos e pela Albânia no Conselho de Segurança da ONU que condenava os referendos de anexação russos em territórios ucranianos sob ocupação de Moscovo.

A resolução recebeu 10 votos a favor, um contra e quatro abstenções.

O projecto de resolução, intitulada “Os Chamados Referendos Ilegais na Ucrânia”, condenava as consultas organizadas e realizadas pela Rússia de 23 a 27 de setembro de 2022 em quatro regiões ocupadas na Ucrânia e declarava que os mesmos não têm validade e não podem constituir a base para a anexação dessas regiões pelo Kremlin.

“Realmente esperam que a Rússia aprove esta resolução?”, questionou, ironicamente, o representante permanente da Rússia nas Nações Unidas, VaSsily Nebenzia, antes de vetar o projecto.

Como a resolução foi vetada pela Rússia – que tem direito de veto como membro permanente do Conselho de Segurança-, o projecto deverá seguir para votação da Assembleia-Geral da ONU, onde a esmagadora maioria dos países tem condenado a invasão russa da Ucrânia.

Na quinta-feira, o secretário-geral da ONU, o português António Guterres,  alertou a Rússia que a anexação de territórios ucranianos “não terá valor jurídico e merece ser condenada”, frisando que “não pode ser conciliada com o quadro jurídico internacional”, naquela que foi uma das declarações mais fortes feitas por Guterres desde a invasão russa da Ucrânia.

Em 21 de setembro, o Presidente russo, Vladimir Putin, anunciou planos para realizar referendos nas regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia e mobilizar parcialmente as reservas militares para apoiar o esforço de guerra da Rússia na Ucrânia.

Realizados os referendos, que, segundo o Kremlin, foram apoiados pela maioria da população, as quatro regiões da Ucrânia serão agora incorporadas à Rússia.

Em 2014, a Rússia já tinha usado o resultado de um referendo realizado sob ocupação militar para legitimar a anexação da península ucraniana da Crimeia, no Mar Negro.

MYMM // PDF

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