O Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres (D), cumprimenta o primeiro-ministro, António Costa (E), durante um encontro no âmbito da 77.ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque, Estados Unidos, 22 de setembro de 2022. UN PHOTO/ESKINDER DEBEBE/LUSA

O primeiro-ministro português, António Costa, criticou hoje as “irresponsáveis ameaças de recurso a armas nucleares” do Presidente russo, Vladimir Putin, e pediu à Rússia para cessar hostilidades em vez de escalar o conflito na Ucrânia.

António Costa deixou estas mensagens logo no início do seu discurso no debate geral da 77.ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), encontro marcado pela invasão russa da Ucrânia e as suas consequências globais.

“A Rússia deve cessar as hostilidades e permitir a criação de um diálogo sério e sustentado, orientado para o cessar-fogo e para a paz. Este não é o tempo de a Rússia escalar o conflito ou fazer irresponsáveis ameaças de recurso a armas nucleares”

O primeiro-ministro começou a sua intervenção, feita em português, referindo que a ONU foi criada com os objectivos de manutenção da paz e da segurança mundiais e de “poupar gerações futuras ao flagelo da guerra, em 1945, para acrescentar: “77 anos depois, ainda não conseguimos alcançar estes objectivos. Pelo mundo, muitas crianças, e até adultos, nunca conheceram a paz”.

Depois, falou da “invasão injustificada e não provocada da Ucrânia, em flagrante violação do direito internacional, desde logo em violação da Carta das Nações Unidas“, com “efeitos devastadores para o povo ucraniano, atingindo brutalmente as populações civis”.

António Costa defendeu que “a gravidade dos actos cometidos torna imperativa uma investigação independente, imparcial e transparente para que os crimes cometidos não passem impunes” e fez questão de “condenar, uma vez mais, a agressão russa” e de reiterar “o apoio de Portugal à soberania, independência e integridade territorial da Ucrânia”.

O primeiro-ministro manifestou também a solidariedade de Portugal para “com todos aqueles que, em todo o mundo, e em particular no continente africano, sofrem com os impactos da invasão da Ucrânia pela Rússia”, realçando que “têm sido os mais vulneráveis aqueles que mais sentem o impacto da crise energética e alimentar – depois de fustigados por quase três anos de crise pandémica”.

Por isso, quis “deixar claro e inequívoco que as necessárias sanções aplicadas à Rússia não podem afectar, directa ou indirectamente, a produção, transporte e pagamento de cereais ou fertilizantes”.

“Saudamos os esforços de todo o sistema das Nações Unidas, em particular do seu secretário-geral, António Guterres, para a resolução deste conflito e para a mitigação dos efeitos nefastos que dele resultam, como a crise alimentar”, disse.

IEL // CC

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