EDITORS NOTE: Graphic content / The body of a man, with his wrists tied behind his back, lies on a street in Bucha, just northwest of the capital Kyiv on April 2, 2022. - The bodies of at least 20 men in civilian clothes were found lying in a single street on April 2, 2022, after Ukrainian forces retook the town of Bucha near Kyiv from Russian troops, AFP journalists said. Russian forces withdrew from several towns near Kyiv in recent days after Moscow's bid to encircle the capital failed, with Ukraine declaring that Bucha had been "liberated". (Photo by RONALDO SCHEMIDT / AFP)

As tropas da Ucrânia encontraram corpos com sinais de tortura, mãos atadas e ferimentos de bala, após os soldados russos terem saído dos arredores de Kiev, indicaram hoje as autoridades.

Citadas pela agência Associated Press (AP), as autoridades revelaram estar a documentar as evidências dos alegados crimes de guerra.

O conselheiro do Presidente ucraniano Oleksiy Arestovych disse que dezenas de moradores foram encontrados mortos nas ruas de Busha e nos subúrbios de Kiev, no que classificou como uma “cena de um filme de terror”.

Algumas pessoas foram amarradas e baleadas na cabeça e os corpos mostram sinais de tortura, referiu Arestovych, notando que existem relatos de violações.

EDITORS NOTE: Graphic content / A dog lies next to a body of a man in a street in the town of Bucha, not far from the Ukrainian capital of Kyiv on April 3, 2022. – US and NATO leaders voiced shock and horror at new evidence of atrocities against civilians in Ukraine, and warned that Russian troop movements away from Kyiv did not signal a withdrawal or end to the violence. (Photo by Sergei SUPINSKY / AFP)

“O que aconteceu em Busha e noutros subúrbios de Kiev só pode ser descrito como um genocídio”, considerou o presidente da Câmara de Kiev, Vitali Klitschko, em declarações ao jornal alemão Bild, apelando ao fim das importações de gás russo.

Para o governante, “nem um centavo” deveria ser dado à Rússia, uma vez que esse dinheiro servirá para financiar um massacre.

Segundo a procuradora-geral da Ucrânia, Iryna Venediktova, foram encontrados corpos de 410 civis em territórios da região de Kiev recentemente recuperados pelas forças ucranianas.

“Os peritos forenses já examinaram 140 deles”, acrescentou a procuradora-geral durante uma emissão em vários canais de televisão ucranianos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, por sua vez, já tinha pedido o reforço das sanções contra Moscovo, como o fim da importação de energia.

“O massacre em Busha foi deliberado […]. Os russos pretendem eliminar o maior número possível de ucranianos”, apontou, através de uma publicação na rede social Twitter.

No mesmo sentido, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, condenou “as atrocidades cometidas pelo exército russo” e prometeu que a União Europeia (UE) vai aplicar mais sanções àquele país.

Os ministros das Relações Externas da França, Alemanha, Itália e Reino Unido também se insurgiram contra os ataques, garantindo que a Rússia vai ser responsabilizada.

“Não vamos permitir que a Rússia encubra o seu envolvimento nessas atrocidades, através da desinformação, e garantimos que essa realidade vai ser exposta”, disse a secretária das Relações Externas do Reino Unido, Liz Truss.

EDITORS NOTE: Graphic content / Communal workers carry a civilian in a body bag in the town of Bucha, not far from the Ukrainian capital of Kyiv on April 3, 2022. – US and NATO leaders voiced shock and horror at new evidence of atrocities against civilians in Ukraine, and warned that Russian troop movements away from Kyiv did not signal a withdrawal or end to the violence. (Photo by Sergei SUPINSKY / AFP)

Guterres “chocado” com imagens de Busha, pede investigação

O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou-se hoje “profundamente chocado com as imagens de civis mortos em Busha”, na região de Kiev, onde muitos corpos foram descobertos após a partida das forças russas.

“É essencial que uma investigação independente permita encontrar os responsáveis”, acrescentou num breve comunicado à imprensa.

A mass grave is seen behind a church in the town of Bucha, northwest of the Ukrainian capital Kyiv on April 3, 2022. – Ukraine and Western nations on Sunday accused Russian troops of war crimes after the discovery of mass graves and “executed” civilians near Kyiv, prompting vows of action at the International Criminal Court. City mayor Anatoly Fedoruk told AFP that 280 other bodies had been buried in mass graves. One rescue official said 57 people were found in one hastily dug trench behind a church. (Photo by Sergei SUPINSKY / AFP)

Em Busha, cidade localizada a cerca de 30 quilómetros de Kiev, recentemente recuperada pelas forças ucranianas, dezenas de cadáveres foram encontrados nas ruas e enterrados em valas comuns, mas a Rússia negou hoje que as suas tropas tenham matado civis nesta cidade e assegurou que todas as fotografias e vídeos publicados pelo governo ucraniano são “uma provocação”.

Governo espanhol pede investigação sobre “crimes de guerra”

O governo espanhol manifestou-se hoje indignado com as “imagens insustentáveis” da cidade ucraniana de Busha, onde foram descobertos cadáveres de civis após a retirada das tropas russas, e pediu uma investigação por “crimes de guerra”.

“As imagens insustentáveis de Busha após a retirada das tropas russas indignam-nos profundamente. Toda a minha solidariedade com as vítimas desta barbárie”, escreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares, numa publicação no Twitter.

O governante espanhol defendeu ainda que “os crimes de guerra devem ser investigados prontamente e os responsáveis devem ser punidos”.

Johnson indignado com “ataques desprezíveis” da Rússia contra civis e ‘”crimes de guerra”

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson classificou hoje como “crimes de guerra” e “ataques desprezíveis” da Rússia contra civis na cidade ucraniana de Busha, onde vários corpos foram encontrados, e prometeu aumentar as sanções contra Moscovo.

“Os ataques desprezíveis da Rússia a civis inocentes em Irpin e Busha são mais uma evidência de que Putin e o seu exército estão a cometer crimes de guerra na Ucrânia”, disse o chefe do executivo britânico em comunicado.

“O Ministério da Defesa russo refuta as acusações do regime de Kiev sobre o alegado assassinato de civis na cidade de Busha, região de Kiev”, disseram os militares na sua conta oficial do serviço de mensagens Telegram.

Macron quer que autoridades russas respondam por crimes em Busha

O Presidente francês, Emmanuel Macron, denunciou hoje as imagens insustentáveis provenientes da cidade ucraniana de Busha, onde foram encontrados centenas de cadáveres, e defendeu que as autoridades russas “devem responder por estes crimes”.

“As imagens que nos chegam de Busha, cidade nos arredores de Kiev que foi libertada, são insustentáveis”, escreveu o Presidente francês no twitter.

Macron referiu, concretamente, as “centenas de civis encontrados nas ruas, assassinados”.

A body of a civilian man with hands tied behind his back lies in the street as a communal worker prepares a plastic body bag to carry him to a waiting car in town of Bucha, not far from the Ukrainian capital of Kyiv on April 3, 2022. – Britain, France, Germany, the US and NATO all voiced horror at Ukrainian reports on April 2, 2022, of nearly 300 bodies lying in the street in Bucha, with some appearing to have been bound by their hands and feet before being shot. (Photo by Sergei SUPINSKY / AFP)

Scholz exige esclarecimentos sobre “crimes cometidos pelo exército russo” em Busha

O chanceler alemão, Olaf Scholz, exigiu hoje esclarecimentos sobre os “crimes cometidos pelo exército russo” em Busha, perto de Kiev, cidade tomada por forças ucranianas e onde muitos cadáveres foram descobertos.

“Devemos esclarecer esses crimes cometidos pelo exército russo”, disse o chefe do governo alemão, num comunicado divulgado hoje.

De acordo com Olaf Scholz, “os autores desses crimes e os seus patrocinadores devem ser responsabilizados”.

O líder do executivo germânico exigiu, em particular, que as organizações internacionais tenham acesso à região para “documentar essas atrocidades”.

Os corpos de 57 pessoas foram encontrados numa vala comum em Busha, disse uma das fonte das autoridades da região, ao mostrar o local a uma equipa da AFP.

O líder alemão denunciou “imagens terríveis e horríveis” de Busha, com “ruas cheias de cadáveres” e “corpos sumariamente enterrados”.

“Fala-se de mulheres, crianças e idosos entre as vítimas”, sublinhou.

NATO denuncia actos “absolutamente inaceitáveis” contra civis em Busha

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, afirmou hoje que os assassínios de civis na cidade de Busha, recapturada recentemente pelos ucranianos ao exército russo, são “absolutamente inaceitáveis”.

Os assassinatos de civis atribuídos ao exército russo em Busha, perto da capital da Ucrânia, Kiev, são “horríveis”, afirmou hoje o secretário-geral da Organização do Tratado Atlântico Norte (NATO), denunciando uma “brutalidade sem precedentes na Europa nas últimas décadas”.

Em declarações à televisão americana CNN, Jens Stoltenberg considerou “absolutamente inaceitável que civis sejam alvejados e mortos”, acrescentando que “isso realça a importância de acabar com esta guerra”.

Questionado sobre a saída das forças russas da região de Kiev, o responsável da NATO referiu que não há lugar para optimismo, porque haverá “um possível aumento de ataques, especialmente no sul [da Ucrânia] e no leste”.

As forças ucranianas só conseguiram penetrar completamente em Busha há alguns dias, uma vez que a cidade ocupada pelos russos permaneceu inacessível por quase um mês.

EDITORS NOTE: Graphic content / A communal worker releases the wrists of a dead man, with his hands tied behind his back, in the town of Bucha, not far from the Ukrainian capital Kyiv on April 3, 2022. – President Volodymyr Zelensky accused Russia of committing genocide and attempting to eliminate the “whole nation” of Ukraine, a day after the discovery of mass graves and apparently executed civilians near Kyiv. Ukraine has recovered 410 civilian bodies from areas it recently retook from the Russian army in the wider Kyiv region, its prosecutor general Iryna Venediktova said Sunday. (Photo by Sergei SUPINSKY / AFP)

Em Mariupol, cidade portuária localizada junto ao Mar de Azov, que se tornou alvo das tropas russas na Ucrânia devido à sua posição estratégica, estima-se que cerca de 100.000 civis estejam presos e com acesso limitado aos cuidados básicos.

A Cruz Vermelha disse esperar que uma equipa de nove funcionários e três veículos chegue hoje a Mariupol, ressalvando que “a situação no terreno é muito volátil”.

De acordo com as autoridades, a Rússia concordou com a criação de corredores seguros na cidade, embora já tenha quebrado acordos semelhantes.

O presidente da Câmara de Chernigiv, Vladyslav Atroshenko, precisou que os ataques da Rússia já destruíram 70% da cidade.

“As pessoas pensam em como podem sobreviver até ao dia seguinte”, notou.

Esta manhã, as forças russas lançaram mísseis no porto de Odessa, Sul da Ucrânia, em direcção a uma unidade de processamento de petróleo e a depósitos de combustíveis.

Por sua vez, o governador regional de Kharkiv referiu hoje que a artilharia e os tanques russos já efectuaram, nas últimas 24 horas, mais de 20 ataques a esta cidade.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou o seu homólogo russo de cometer “um genocídio” com a invasão da Ucrânia.

“Sim, é um genocídio. A eliminação de toda a nação. Nós temos mais de 100 nacionalidades. Trata-se de destruir e exterminar todas essas nacionalidades”, afirmou Zelensky, em declarações ao canal americano CBS.

A Ucrânia já tinha acusado a Rússia de cometer um “massacre deliberado” em Busha, uma cidade no noroeste de Kiev, e outros “horrores” nas regiões que, entretanto, foram libertadas.

“Isto está a acontecer na Europa e no século XXI”, reiterou, sublinhando que “toda a nação está a ser torturada”.

O negociador russo, Vladimir Medinksy, já referiu ser muito cedo para falar de um encontro entre os dois líderes.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.325 civis, incluindo 120 crianças, e feriu 2.017, entre os quais 168 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra provocou a fuga de mais de 10 milhões de pessoas, incluindo mais de 4,1 milhões de refugiados em países vizinhos e cerca de 6,5 milhões de deslocados internos.

A ONU estima que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

PE // JPS

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