Russian President Vladimir Putin (C) speaks with Belarus President Alexander Lukashenko (3rd R) upon their arrival at the Vostochny cosmodrome, some 180 km north of Blagoveschensk, Amur region on April 12, 2022. (Photo by Mikhail KLIMENTYEV / Sputnik / AFP)

O Presidente russo, Vladimir Putin, defendeu hoje que o confronto com as forças antirrussas na Ucrânia era inevitável e apenas uma questão de tempo, devido ao crescimento do neonazismo no país vizinho.

“A Ucrânia começou a ser transformada numa base antirrussa, os rebentos do nacionalismo e do neonazismo, que existem há muito tempo, começaram a crescer no país”, disse Putin durante uma visita ao cosmódromo Vostochny, no leste da Rússia, com o Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko.

Ao conversar com trabalhadores da indústria espacial russa no cosmódromo da Vostochny, Putin disse que o “crescimento do neonazismo foi especialmente cultivado” na Ucrânia.

“O neonazismo, infelizmente, tornou-se um facto da vida num país relativamente grande e próximo de nós. Isto é uma coisa óbvia: [o confronto] era inevitável, a única questão era o tempo”, afirmou, citado pela agência noticiosa oficial TASS.

Ao invadir a Ucrânia, em 24 de fevereiro, a Rússia alegou que pretendia “desmilitarizar e desnazificar” o país vizinho.

Putin reafirmou que a “operação militar especial” na Ucrânia, como a invasão é oficialmente designada por Moscovo, visa ajudar o povo da região ucraniana separatista do Donbass e “garantir a segurança da própria Rússia”.

Roscosmos chief Dmitry Rogozin (R) gives explanations to Russia’s President Vladimir Putin (L) and Belarus President Alexander Lukashenko (C) during their visit at the Vostochny cosmodrome, some 180 km north of Blagoveschensk, Amur region, on April 12, 2022. (Photo by Mikhail KLIMENTYEV / Sputnik / AFP)

“Obviamente, não tínhamos outra escolha, isso é certo. E não há dúvida de que os objetivos serão alcançados”, disse Putin aos trabalhadores da indústria espacial russa.

“Os objetivos são absolutamente compreensíveis e nobres”, insistiu Vladimir Putin.

Putin disse que a Rússia foi forçada a ajudar o povo do Donbass “porque as autoridades ucranianas, empurradas pelo Ocidente, recusaram-se a cumprir os Acordos de Minsk com vista a uma resolução pacífica dos problemas” nesta região do leste da Ucrânia, em guerra com Kiev desde 2014.

“Era simplesmente impossível continuar a suportar este genocídio, que durou oito anos”, afirmou.

Putin disse também que o Ocidente não conseguirá isolar a Rússia com as sanções decretadas na sequência da invasão da Ucrânia.

“É certamente impossível isolar qualquer pessoa no mundo de hoje, especialmente um país tão grande como a Rússia”, argumentou.

O Presidente russo assegurou que Moscovo trabalhará com os seus parceiros “que queiram cooperar” para ultrapassar a crise suscitada pelas sanções internacionais.

Putin alegou que, já em 2014, quando a Rússia foi alvo de sanções por ter anexado a península ucraniana da Crimeia, a agricultura russa conseguiu transformar-se numa indústria de alta tecnologia.

Disse também que, em 1961, a então União Soviética estava em completo isolamento do ponto de vista tecnológico, mas alcançou feitos importantes, como o lançamento do primeiro satélite terrestre artificial e o primeiro cosmonauta a viajar no espaço.

“Fizemos tudo em condições de completo isolamento tecnológico, alcançámos êxitos muito grandes”, afirmou, citado pelas agências EFE e AP.

A visita de Putin a Vostochny marcou a sua primeira viagem conhecida fora de Moscovo desde que a Rússia invadiu a Ucrânia.

Numa mensagem às forças aeroespaciais russas que estão a prestar “assistência às repúblicas populares do Donbass”, Putin disse que “agem com coragem, competência, eficiência e eficácia, e utilizam os mais modernos tipos de armas com características únicas e inigualáveis”.

Putin denuncia alegados massacres em Bucha como uma falsificação

Vladimir Putin disse hoje que o massacre de Bucha, alegadamente perpetrado pelas tropas russas na região de Kiev, é uma “falsificação” que comparou a acusações contra o homólogo e aliado sírio, Bashar al-Assad.

As autoridades ucranianas anunciaram hoje que já contabilizaram 400 civis mortos em Bucha, alegadamente vítimas de massacres das forças russas antes de se retirarem daquela cidade e de outras localidades nos arredores da capital da Ucrânia.

Numa conferência de imprensa com o Presidente da Bielorrússia após uma visita ao cosmódromo Vostochny, no leste da Rússia, Putin disse que Alexander Lukashenko lhe entregou documentos relativos a Bucha e considerou que a acusação de massacres russos é falsa.

Russian President Vladimir Putin (C) and Roscosmos employees pose for a picture, as he visits the Vostochny cosmodrome, some 180 km north of Blagoveschensk, Amur region, on April 12, 2022. (Photo by Yevgeny BIYATOV / Sputnik / AFP)

Putin recordou o alegado arsenal químico iraquiano que serviu de pretexto para a invasão do Iraque pelos Estados Unidos, em 2003, e que foram encenadas provocações semelhantes na Síria, acusando Al-Assad de utilizar armas químicas.

“Depois, verificou-se que se tratava de uma falsificação. A mesma farsa está em Bucha”, disse o líder russo, citado pela agência oficial TASS.

Putin disse também que sempre que um líder ocidental lhe fala em atrocidades na Ucrânia, recorda a destruição causada pelos aviões norte-americanos em cidades sírias como Al-Raqa, onde morreram centenas de civis em 2017.

“Ninguém reagiu então”, disse.

Putin salientou que a campanha militar na Ucrânia “está a decorrer de acordo com o plano” e que a sua duração dependerá da “intensidade dos combates”, o que, segundo admitiu, implica perdas do lado russo.

“A nossa missão é atingir todos os objectivos estabelecidos, minimizando ao mesmo tempo as baixas. Vamos agir com firmeza, calma, de acordo com o plano que foi inicialmente elaborado pelo Estado-Maior”, disse, citado pela agência espanhola EFE.

Quanto à crítica do chanceler austríaco, Karl Nehammer, de que está “imerso numa lógica bélica”, Putin manteve a sua posição.

“A nossa lógica é simples. O nosso objectivo é ajudar as pessoas que vivem no Donbass, que sentem uma ligação inquebrável com a Rússia e que durante oito anos foram vítimas de genocídio”, respondeu, reafirmando um dos objectivos da invasão da Ucrânia.

Russian President Vladimir Putin speaks with workers, as he visits the Vostochny cosmodrome, some 180 km north of Blagoveschensk, Amur region on April 12, 2022. (Photo by Yevgeny BIYATOV / Sputnik / AFP)

Explicou que as acções militares noutras regiões ucranianas estão relacionadas com a intenção de neutralizar as forças inimigas, destruir infra-estruturas militares e “criar condições para acções militares mais activas no território do Donbass”.

Putin admitiu que a operação russa na Ucrânia é uma “tragédia”, embora inevitável, e considerou que o mundo está a assistir à “ruptura do sistema mundial unipolar que foi formado após a desintegração da União Soviética”.

“Muitos dizem que os Estados Unidos estão prontos para lutar contra a Rússia até ao último ucraniano. Dizem-no ali e aqui. Essa é a quintessência do que está a acontecer”, acrescentou.

A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro, desencadeando uma guerra que provocou um número de vítimas civis e militares ainda por contabilizar.

A guerra, que entrou hoje no 48.º dia, levou à fuga de mais de 11 milhões de pessoas, incluindo 4,6 milhões para países vizinhos, naquela que é considerada a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

As Nações Unidas calculam que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária devido à guerra na Ucrânia.

A comunidade internacional reagiu à invasão russa com sanções económicas e políticas contra Moscovo, e com o fornecimento de armas a Kiev.

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