EDITORS NOTE: Graphic content / Body bags are lined up for identification by forensic personnel and police officers in the cemetery in Bucha, north of Kyiv, on April 6, 2022. (Photo by RONALDO SCHEMIDT / AFP)

Os serviços de informações da Alemanha gravaram conversas entre soldados russos na Ucrânia que supostamente provam que os disparos contra civis fazem parte da estratégia da invasão da Rússia, noticiou hoje o semanário Der Spiegel.

Os serviços de informações alemães (BND) captaram conversas transmitidas via rádio entre militares russos que mencionam a morte de civis, estando as gravações, segundo o semanário, na posse do Parlamento de Berlim.

De acordo com a notícia publicada hoje pelo Der Spiegel, alguns diálogos entre soldados russos podem relacionar-se com os civis encontrados mortos nas ruas de Bucha, nos arredores de Kiev.

Segundo a publicação, nas gravações do BND um soldado conta como ele próprio e outro militar dispararam contra uma pessoa que se deslocava de bicicleta.

Numa outra conversa captada pelo BND ouve-se um homem que afirma que “primeiro se fazem perguntas aos civis e depois dispara-se”.

O semanário alemão refere que as gravações foram enviadas na quarta-feira para o Parlamento alemão, sendo que o material captado pelo BND pode indicar que nas mortes de civis na Ucrânia podem também estar envolvidos mercenários da empresa russa Wagner, que “se destacou na Síria pela crueldade”.

O Der Spiegel informa ainda que as escutas do BND permitem demonstrar que os disparos contra civis não foram acções isoladas de alguns soldados e que “são um testemunho” de que as forças russas conversavam sobre os actos cometidos “de forma quotidiana”.

“Isto aponta que os assassinatos de civis eram parte da acção dos militares russos, possivelmente parte de uma estratégia definida. Trata-se de propagar o medo e o terror entre a população civil para eliminar a resistência”, escreve ainda o Der Spiegel sobre o material recolhido pelos serviços de espionagem da Alemanha.

No fim de semana foi divulgada a existência de centenas de corpos com roupas civis, espalhados pelas ruas e em valas comuns, em Bucha, a noroeste de Kiev, após a retirada das tropas russas. Moscovo rejeitou qualquer responsabilidade e acusou a Ucrânia de “encenação”.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.563 civis, incluindo 130 crianças, e feriu 2.213, entre os quais 188 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais 4,2 milhões para os países vizinhos.

Esta é a pior crise de refugiados na Europa desde a II Guerra Mundial (1939-1945) e as Nações Unidas calculam que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

PSP // MLS

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