A supporter of Brazilian President Jair Bolsonaro takes part in a protest to ask for federal intervention outside the Army headquarters in Brasilia, on November 2, 2022. (Photo by Sergio Lima / AFP)

Milhares de pessoas reuniram-se hoje em frente às portas de quartéis em grandes cidades como São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, para exigir uma “intervenção militar” contra a vitória eleitoral do líder progressista Lula da Silva.

Nos actos, os manifestantes proclamam que autorizam o Presidente cessante, Jair Bolsonaro, a convocar as Forças Armadas para se manter no poder.

Os maiores actos estão a ocorrer na capital federal e nas duas maiores cidades do país, mas listas que circulam nas redes sociais e em grupos da aplicação Telegram têm convocações para todo o país.

Os protestos foram convocados nas redes sociais por grupos de extrema-direita que apoiam o Presidente Jair Bolsonaro e não reconhecem a vitória de Lula da Silva nas eleições e acontecem paralelamente a bloqueios realizados por camionistas nas estradas com o mesmo objectivo desde segunda-feira.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), hoje, feriado no Brasil pelo Dia dos Mortos, existem ainda 167 bloqueios de camionistas face aos quase 500 que foram registados na segunda-feira, um dia depois das eleições.

Num desses bloqueios, na cidade paulista de Barueri, os motoristas de camião se recusaram a desfazer o bloqueio e foram reprimidos pela polícia com gás lacrimogéneo, o que gerou pequenos incidentes, sem vítimas até ao momento.

Jair Bolsonaro pronunciou-se sobre o resultado das eleições na terça-feira, dois dias depois de a contagem oficial determinar a vitória de Lula da Silva por uma margem muito estreita de 1,8 pontos percentuais.

A long line of trucks is seen during a blockade held by supporters of President Jair Bolsonaro on Castelo Branco highway, on the outskirts of Sao Paulo, Brazil, on November 2, 2022. (Photo by Miguel SCHINCARIOL / AFP)

Enquanto Bolsonaro esta em silêncio, os seus simpatizantes mais extremistas deram início ao movimento que exige um golpe militar das Forças Armadas para fechar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) para manter o actual Presidente no poder.

No entanto, os manifestantes foram contrariados pelo próprio Bolsonaro na sua declaração, apesar de ter dito que o “movimento popular” foi “resultado da indignação e do sentimento de injustiça pelo desenrolar do processo eleitoral”.

Mesmo assim, Jair Bolsonaro afirmou que “manifestações pacíficas serão sempre bem-vindas”, mas reforçou que seus métodos “não podem ser os da esquerda, que sempre prejudicaram a população, como a invasão de propriedade ou a destruição de património”, e ressaltou que ninguém pode impedir “o direito de ir e vir”.

Com 100% dos votos contados, Lula da Silva venceu as presidenciais de domingo por uma margem estreita, recebendo 50,9% dos votos, contra 49,1% para Jair Bolsonaro, que procurava obter um novo mandato de quatro anos.

CYR // LFS

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