A Polícia Nacional cabo-verdiana perde anualmente quase meia centena de efectivos, entre reformas e agentes que emigram, e apenas consegue formar 120, o que está a dificultar o reforço do contingente, que ronda os 1.900 policiais.

Os dados foram avançados em entrevista à agência Lusa pelo ministro da Administração Interna de Cabo Verde, Paulo Rocha, numa altura em que a capital cabo-verdiana enfrenta um pico de criminalidade violenta.

Segundo o governante, a Polícia Nacional conta actualmente com pouco mais de 1.900 efectivos (para quase 600.000 habitantes e 750.000 turistas anuais), distribuídos por esquadras e postos nos 22 municípios do país e nas diferentes unidades, do patrulhamento à Polícia Marítima, passando ainda pela Divisão de Estrangeiros e Fronteiras.

“É suficiente o contingente que nós temos? Ainda não é. Nós temos problemas sérios de limitação de pessoal e problemas sérios em alguns lugares no que tange a carga horárias, em algumas ilhas”, admitiu o governante.

Em 2019 foram formados na Escola de Polícia de Cabo Verde 120 novos agentes, que serão distribuídos por todo o país ainda este mês, e o mesmo número está previsto para 2020.

O ministro explicou que 120 elementos representa a capacidade máxima actual da Escola de Polícia para aquartelamento dos formandos para os seis meses de formação necessários. Daí que, apesar do contexto de criminalidade que a capital vive e da saída de elementos – segundo Paulo Rocha pelo menos 400 efectivos da Polícia Nacional foram para a reforma nos últimos anos – o recrutamento em 2020 não poderá exceder essa previsão.

“Este ano vamos perder 44 a 45 efectivos [reformas e abandonos]. O ano passado perdemos um número idêntico (…) De modo que entram este ano 120 agentes e vão sair cerca de 50”, reconheceu.

Apontou ainda o abandono voluntário entre o efectivo da Polícia Nacional, nomeadamente para a emigração, como outro dos problemas, sobretudo dos agentes colocados nas ilhas do Fogo e da Brava, com fortes comunidades emigrantes nos Estados Unidos.

Segundo Paulo Rocha, um levantamento anterior apontava que a Polícia Nacional deveria chegar a 2025 com um contingente de 2.700 polícias: “Nós ainda nem chegamos aos 2.000 (…) O desejado é que o rácio a nível nacional seja de um agente por 250 habitantes. Nós ainda andamos longe disso. Em algumas localidades estamos a um agente para 350 habitantes, 300 habitantes. Noutra localidades estamos muito, muito distantes disso”.

O governante destacou que na área da formação, Portugal tem sido o “principal parceiro”, através de acordos para apoio técnico-policial às autoridades cabo-verdianas. Apontou como exemplo a parceria “extraordinária” com a PSP, que garante a formação dos oficiais da Polícia Nacional na Escola Superior de Segurança Pública, em Portugal.

Em 2019 foram realizadas por Portugal várias acções de formação em Cabo Verde, para candidatos a oficiais superiores, inativação de engenhos explosivos, de protecção de entidades e na implementação do policiamento de proximidade, entre outras.

“Este ano, então, tem sido fenomenal em matéria de cooperação”, descreveu Paulo Rocha, acrescentando que já decorrem reuniões com as autoridades portuguesas para definir as acções prioritárias de formação da Polícia Nacional para 2020.

Publicidade