Os Estados Unidos acreditam que a Suécia e a Finlândia terão um “procedimento de adesão à NATO eficaz” e que será possível “responder às preocupações manifestadas pela Turquia”, adiantou hoje a Casa Branca.

Jake Sullivan, conselheiro de segurança nacional do Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, lembrou que Washington está a dialogar com Ancara, que ameaçou bloquear a adesão dos países nórdicos à Aliança Atlântica.

“Estamos muito optimistas sobre o desfecho”, adiantou.

O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, reuniu hoje nas Nações Unidas com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Mevlut Cavusoglu, que forneceu sinais contraditórios sobre a posição de Ancara face ao pedido de adesão dos países nórdicos à NATO.

Por um lado, o turco assegurou que o seu país apoia uma política de “portas abertas” da NATO e a compreensão do desejo da Finlândia e da Suécia em ingressarem na Aliança Atlântica após a invasão russa da Ucrânia.

No entanto, também repetiu as exigências do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, sobre as preocupações de segurança por parte da Turquia em caso de adesão.

“Em relação a esses países candidatos, temos preocupações legítimas de segurança de que eles estão a apoiar organizações terroristas e também há restrições à exportação de produtos de defesa”, salientou.

Ancara continua a esgrimir estes comentários enquanto as autoridades norte-americanas procuram determinar o nível de seriedade de Erdogan, muitas vezes cirúrgico nas suas negociações, bem como o que pode ser necessário para fazer a Turquia mudar de opinião sobre este tema.

Recep Tayyip Erdogan reiterou hoje que o alargamento da NATO dependerá de a Finlândia e a Suécia mostrarem respeito pelas sensibilidades turcas relativas ao terrorismo, ou seja, de deixarem de acolher militantes curdos de organizações como o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a guerrilha curda da Turquia, e suas ramificações, que Ancara considera terroristas.

Sem abordar directamente as declarações do chefe de Estado turco, Antony Blinken salientou que Washington está a trabalhar para garantir o sucesso do processo de expansão da NATO.

Também o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Ned Price, recusou esta terça-feira comentar as declarações do governo turco.

Em causa para os Estados Unidos e aliados da NATO está a oportunidade de responder à invasão russa da Ucrânia fortalecendo esta organização de defesa, ou seja, alcançando o oposto do que o Presidente russo esperava conseguir.

O possível veto de Erdogan que pode inviabilizar as novas entradas na NATO, visto que têm de ser alcançado um consenso entre os 30 membros, pode também expor a potencial fraqueza que Putin tem procurado explorar no passado.

Segundo noticiou hoje a agência Associated Press (AP), o Presidente da Croácia, Zoran Milanovic, quer que o país siga o exemplo da Turquia e tente impedir que a Finlândia e a Suécia adiram à NATO.

Milanovic tem travado uma amarga disputa verbal com o primeiro-ministro croata, Andrej Plenkovic, sobre vários assuntos, entre os quais se a Croácia deve ou não apoiar as candidaturas à adesão à Aliança Atlântica por parte da Finlândia e Suécia.

Historicamente não-alinhados, Suécia e Finlândia há vários anos que colaboravam com a NATO, mas a invasão russa da Ucrânia levou os governos dos dois países a repensarem o seu posicionamento face à Aliança Atlântica.

DMC (ANC/RJP) // PDF

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