Os chefes das diplomacias dos Estados-membros da Liga Árabe adoptaram “medidas urgentes” contra o que chamam de “agressão turca” contra o nordeste da Síria, onde Ancara lançou uma operação militar na quarta-feira contra milícias curdas, que consideram terroristas.

De acordo com o comunicado, divulgado ontem no final de uma reunião de emergência realizada na sede da Liga Árabe, no Cairo, os ministros analisaram, entre outras medidas, “reduzir as relações diplomáticas, suspender a cooperação militar e rever as relações económicas, culturais e turísticas” com a Turquia.

Alguns países, como o Egipto, Arábia Saudita e outras monarquias do Golfo Pérsico, já tinham relações muito tensas com o governo do Presidente turco Recep Tayyip Erdogan, de tendência islâmica e aliado do grupo da Irmandade Muçulmana, considerada terrorista pelo Cairo.

Os ministros consideraram que a ofensiva de Ancara representa “uma ameaça direta à segurança nacional dos países árabes e internacional” e “contraria as normas internacionais”.

Por isso, pediram à Turquia que pare com a “agressão” e “se retire imediata e incondicionalmente de todos os territórios sírios”, enquanto consideraram “legítimos” os esforços da Síria para responder ao ataque turco.

A Liga Árabe também manifestou a “sua firme rejeição a qualquer tentativa turca de impor mudanças demográficas na Síria através da força dentro da estrutura da chamada zona de segurança”, referindo-se à ampla faixa de fronteira entre os dois países, que a Turquia deseja controlar para prevenir a criação de uma autónoma curda.

Atualmente, essa área de cerca de 480 quilómetros de extensão e 30 de largura é atualmente controlada pelas autoridades e forças curdas, consideradas terroristas por Ancara (capital da Turquia) pelas suas ligações com os guerrilheiros curdos que operam em solo turco há décadas.

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