O Presidente norte-americano, Joe Biden, anunciou hoje um conjunto de sanções económicas a indivíduos, entidades e bancos russos, motivadas pelas acções da Rússia no leste ucraniano, afirmando estar em causa o “início de uma invasão na Ucrânia“.

Num discurso na Casa Branca, sem direito a perguntas, Biden anunciou sanções às elites russas e a bancos, e alertou que a Rússia “irá pagar um preço ainda mais alto se continuar com as agressões” a Kiev.

Um dia depois de o Presidente russo Vladimir Putin ter reconhecido a independência de “repúblicas” no interior do território ucraniano, o chefe de Estado norte-americano anunciou ainda que autorizou o reforço de tropas norte-americanas já presentes nos países do Báltico.

Reino Unido e França vão articular sanções à Rússia

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e o Presidente francês, Emmanuel Macron, vão continuar a “trabalhar em conjunto” para aplicar sanções a interesses russos, na sequência do reconhecimento pela Rússia das autoproclamadas “repúblicas” do Donbass, divulgou hoje Downing Street.

Os dois governantes mantiveram hoje uma conversa telefónica na qual o chefe de governo britânico informou Emmanuel Macron sobre as sanções do Reino Unido à Rússia.

“Os líderes concordaram com a necessidade de continuarem a trabalhar juntos para atingir indivíduos e entidades russas que financiam a abordagem agressiva do presidente Putin na Ucrânia”, revelou o gabinete do primeiro-ministro do Reino Unido (Downing Street) em comunicado.

Boris Johnson assinalou ainda que o reconhecimento como independentes, por Vladimir Putin, dos territórios ucranianos separatistas pró-russos de Donetsk e Lugansk, na região ucraniana de Donbass, constitui “uma grave violação do direito internacional” e que, ao enviar tropas para o leste do país, “rasgou os acordos de Budapeste e Minsk”.

Para os dois líderes, “as acções da Rússia não ameaçam apenas a soberania da Ucrânia, mas também são um ataque flagrante à liberdade e à democracia”.

O Reino Unido anunciou hoje sanções contra três oligarcas conhecidos por serem próximos do Presidente russo, Vladimir Putin, e contra cinco bancos russos.

Também a União Europeia (UE), da qual o Reino Unido já não faz parte, aprovou hoje um “pacote de sanções” contra a Rússia “por unanimidade”, revelou o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.

Já a Noruega, que não pertence à UE, anunciou hoje que se irá juntar às sanções do organismo europeu contra a Rússia.

O país escandinavo também confirmou a realização em março de grandes manobras bianuais da NATO, naquele que deverá ser o maior exercício militar da Aliança Atlântica este ano.

“A situação na Ucrânia (…) está num nível dramático. Ontem [segunda-feira] foi um ponto de viragem”, atirou o primeiro-ministro norueguês Jonas Gahr Støre.

O líder do Partido Conservador da Polónia, Jaroslaw Kaczynski, defendeu hoje que as sanções contra a política de Moscovo em relação à Ucrânia devem afectar directamente o Presidente Vladimir Putin e os oligarcas russos.

O também vice-primeiro-ministro polaco frisou que as sanções do Ocidente devem afectar os gasodutos Nord Stream 1 e Nord Stream 2 e contemplar a exclusão da Rússia do sistema internacional de acordos financeiros, além de “sanções pessoais”.

“Na minha opinião, estas [sanções] devem atingir Putin pessoalmente”.

Após ter reconhecido como independentes os territórios ucranianos separatistas pró-russos de Donetsk e Lugansk, na região de Donbass, na segunda-feira, Moscovo esclareceu hoje que o reconhecimento se refere ao território ocupado quando as autoproclamadas repúblicas proclamaram esse estatuto em 2014, o que inclui espaço actualmente detido pelas forças ucranianas.

Além de ter assinado os decretos relativos ao reconhecimento de Lugansk e de Donetsk, Putin anunciou que as forças armadas russas poderão deslocar-se para aqueles territórios ucranianos em missão de “manutenção da paz”.

Moscovo oficializa relações diplomáticas com territórios separatistas

A Rússia estabeleceu hoje oficialmente relações diplomáticas com os territórios ucranianos separatistas pró-russos de Donetsk e Lugansk, na região ucraniana de Donbass, que o Presidente Vladimir Putin reconheceu na segunda-feira como independentes.

Moscovo e as autoproclamadas repúblicas de Donetsk e Lugansk, que não são reconhecidas pela comunidade internacional, concordaram com o “estabelecimento de relações diplomáticas”, referiu em comunicado o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

Após ter reconhecido na segunda-feira como independentes os territórios ucranianos separatistas pró-russos de Donetsk e Lugansk, na região de Donbass, Moscovo esclareceu hoje que o reconhecimento se refere ao território ocupado quando as “repúblicas” proclamaram esse estatuto em 2014, o que inclui espaço actualmente detido pelas forças ucranianas.

Além de ter assinado os decretos relativos ao reconhecimento de Lugansk e de Donetsk, Putin anunciou que as forças armadas russas poderão deslocar-se para aqueles territórios ucranianos em missão de “manutenção da paz”.

A decisão foi condenada pela generalidade dos países ocidentais, que temiam há meses que a Rússia invadisse novamente a Ucrânia, depois de ter anexado a península ucraniana da Crimeia em 2014.

Nesse ano, começou a guerra no Donbass entre separatistas pró-russos apoiados por Moscovo e o exército ucraniano, que provocou, desde então, mais de 14.000 mortos e 1,5 milhões de deslocados, segundo a ONU.

UE vai impor à Rússia pacote de sanções económicas e financeiras – Santos Silva

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, indicou hoje, em declarações à Lusa, que a União Europeia vai impor à Rússia “um primeiro pacote de sanções económicas e financeiras” por “flagrante violação do direito internacional”.

A decisão foi tomada numa reunião informal dos chefes da diplomacia da UE, convocada para hoje à tarde pelo Alto Representante da UE para a Política Externa e de Segurança, Josep Borrell, e que se destinava a dar as orientações necessárias aos embaixadores dos 27 em Bruxelas, que se reuniriam em seguida em sessão formal do Comité de Representantes Permanentes.

“As orientações são claras: vão no sentido de aprovar um primeiro pacote de sanções económicas e financeiras à Rússia. Estamos a falar de sanções dirigidas a todos aqueles que na Duma, o parlamento russo, no Ministério da Defesa e em outras instâncias do poder político russo contribuíram para esta decisão ilegal e ilegítima tomada pelas autoridades russas – a saber, reconhecer as chamadas Repúblicas Populares de Donetsk e de Lugansk e enviar também supostas forças de paz russas para esses territórios”, disse Augusto Santos Silva à Lusa.

“Ambas estas decisões são uma violação flagrante do direito internacional, da integridade territorial da Ucrânia e dos acordos de Minsk, que a própria Rússia subscreveu”, frisou.

Trata-se de sanções dirigidas a mais de quatro centenas de pessoas, que consistem “na interdição de quaisquer viagens no espaço europeu e no congelamento de activos financeiros de que sejam titulares na Europa”, precisou o chefe da diplomacia português.

“Também demos indicação para a aprovação de um segundo pacote de sanções relativo à interdição de quaisquer importações a partir desses territórios [ucranianos] agora ocupados, as regiões separatistas de Donetsk e Lugansk”, acrescentou.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE deram ainda indicação para a aprovação de um terceiro pacote de sanções financeiras dirigidas “a três bancos russos que financiam os oligarcas e demais actores políticos ligados a essas decisões”.

“E uma outra sanção mais importante ainda, porque mais poderosa: vamos interditar também quaisquer empréstimos, qualquer financiamento, a partir do espaço europeu, do Estado russo, incluindo do Banco Central Russo”, sublinhou.

Estas medidas “estão alinhadas com as sanções que já foram aprovadas ou estão a ser aprovadas pelos nossos parceiros internacionais – os Estados Unidos, o Reino Unido, o Canadá, e por aí fora -, estão também alinhadas com a convergência a que se chegou no seio do G7 e também se destinam a apoiar e a acompanhar a decisão muito importante tomada hoje pelo Governo alemão de suspender o processo de certificação do gasoduto Nord Stream 2”, referiu Santos Silva.

“Do nosso ponto de vista, este é um primeiro pacote de sanções – portanto, é a nossa resposta ao acto ilegal tomado pelo Presidente [russo, Vladimir] Putin ontem (segunda-feira), sabendo também nós todos que estamos a meio de um processo que infelizmente tem tido uma evolução negativa e, portanto, temos todos a consciência de que esta é uma primeira resposta e que pode ser necessário pôr em marcha outras respostas”, observou o ministro português.

Envio de tropas russas para o Donbass depende da situação no terreno – Putin

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou hoje que o envio de tropas russas para a região do Donbass, no leste da Ucrânia, dependerá da situação no terreno, onde os confrontos “continuam” e tendem a agravar-se.

Numa conferência de imprensa em que também pediu o reconhecimento internacional da soberania da da Rússia sobre a Crimeia, península ucraniana que Moscovo anexou em 2014, Putin disse que tudo dependerá do desenvolvimento dos acontecimentos e da “situação no terreno”.

O Presidente russo, que falava depois de autorizado pelo Senado a enviar tropas russas para fora do país, afirmou que os combates na zona de conflito “continuam” e tendem a agravar-se.

“Não disse que as tropas vão para lá agora, já a seguir”, disse o líder russo aos jornalistas, acrescentando que neste momento é “impossível” prever o que vai acontecer e tudo dependerá da “situação concreta no terreno”.

O líder russo insistiu que Moscovo reconheceu a independência das autoproclamadas repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk devido à recusa de Kiev em cumprir os acordos de Minsk sobre a resolução pacífica do conflito na região.

“Os acordos de Minsk morreram muito antes do reconhecimento das repúblicas de Donbass”, disse Putin, afirmando que “os acordos deixaram de existir”.

A este respeito, lamentou que a Europa não possa influenciar Kiev a cumprir os seus compromissos no âmbito dos acordos.

Putin defendeu também que a anexação, em 2014, pela Rússia da Península da Crimeia deve ser reconhecida internacionalmente como um reflexo legítimo da escolha da população local, comparando-a ao referendo pela independência do Kosovo.

A anexação foi amplamente condenada pelas potências ocidentais como uma violação do direito internacional.

Para pôr fim à actual crise, o Presidente russo insistiu na renúncia à possibilidade de a Ucrânia vir a integrar a NATO, dizendo que este país deveria assumir um “estatuto neutro”, e que o Ocidente deve deixar de enviar armamento para Kiev.

Von der Leyen promete que UE vai dificultar ao máximo vida ao Kremlin

A presidente da Comissão Europeia saudou hoje o pacote de sanções contra a Rússia adoptado pelos 27 e prometeu que a União Europeia (UE) vai “tornar tão difícil quanto possível para o Kremlin a prossecução das suas políticas agressivas”.

Numa declaração em Bruxelas, pouco depois de os Estados-membros terem aprovado por unanimidade um novo pacote de sanções dirigido a Moscovo, face ao reconhecimento das “regiões ucranianas de Donetsk e Lugansk” e à decisão do Presidente russo, Vladimir Putin, de mobilizar forças militares para estas autoproclamadas repúblicas, Ursula von der Leyen advertiu que “se a Rússia continuar a agravar esta crise que criou”, a UE está pronta a tomar rapidamente “novas medidas em resposta”.

Relativamente às sanções hoje aprovadas pelos 27, a representante considerou tratar-se de um “sólido pacote”, com “uma série de medidas calibradas”, que constituem “uma resposta clara às violações do direito internacional por parte do Kremlin (Presidência russa)”.

“As sanções visam directamente os indivíduos e empresas envolvidos nestas ações. Visam os bancos que financiam o aparelho militar russo e contribuem para a desestabilização da Ucrânia. Estamos também a proibir o comércio entre as duas regiões separatistas e a UE – tal como fizemos após a anexação ilegal da Crimeia em 2014. E, finalmente, estamos a limitar a capacidade do Governo russo de angariar capital nos mercados financeiros da UE”, apontou.

“Vamos tornar tão difícil quanto possível para o Kremlin a prossecução das suas políticas agressivas”, declarou a presidente do executivo comunitário, que voltou a acusar a Rússia de estar a “desrespeitar as suas obrigações internacionais e a violar princípios fundamentais do direito internacional”.

“A Rússia fabricou esta crise e é responsável pela atual escalada. Vamos agora finalizar rapidamente o pacote de sanções. E iremos coordenar estreitamente com os nossos parceiros, como temos feito até agora”.

A dirigente alemã disse ainda estar totalmente de acordo com o Governo alemão relativamente ao gasoduto Nord Stream 2, para a distribuição de gás natural russo à Alemanha, cujo processo de certificação foi hoje interrompido por Berlim.

“O Nord Stream 2 tem que ser avaliado à luz da segurança do aprovisionamento energético para toda a Europa. Porque esta crise mostra que a Europa ainda está demasiado dependente do gás russo. Temos de diversificar os nossos fornecedores e investir fortemente em energias renováveis. Este é um investimento estratégico na nossa independência energética”, declarou.

O chefe da diplomacia da UE anunciou hoje a aprovação, por unanimidade entre os 27 Estados-membros, de um pacote de sanções à Rússia, visando “atingir e muito” as autoridades russas, após reconhecimento de territórios separatistas no leste ucraniano.

“Devido a esta situação, hoje, os países europeus deram uma resposta rápida […] e chegaram a um acordo unânime entre os 27 Estados-membros para adotar um pacote de sanções que apresentei ao Conselho após longas horas de negociações”, anunciou Josep Borrell, falando numa conferência de imprensa em Paris, após uma reunião informal convocada de urgência na véspera para discutir a imposição de sanções à Rússia.

Vincando que “este é um momento particularmente perigoso para a Europa”, o Alto Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança apontou que este pacote de sanções “atingirá a Rússia e atingirá muito”.

“Estamos em forte coordenação com os nossos parceiros, Estados Unidos, Reino Unido e Canadá, com os quais tenho estado em estreito contacto durante estas horas”, afirmou Borrell, ameaçando “aumentar o nível de sanções substancialmente consoante o comportamento russo”.

Em concreto, as sanções hoje aprovadas abrangem 27 indivíduos e entidades e 350 membros da câmara baixa do parlamento russo (Duma), como a Lusa já tinha avançado.

UE aprova por unanimidade pacote de sanções para “atingir e muito” a Rússia

O chefe da diplomacia da União Europeia anunciou hoje a aprovação, por unanimidade entre os 27 Estados-membros, de um pacote de sanções à Rússia, visando “atingir e muito” as autoridades russas, após reconhecimento de territórios separatistas no leste ucraniano.

“Devido a esta situação, hoje, os países europeus deram uma resposta rápida […] e chegaram a um acordo unânime entre os 27 Estados-membros para adoptar um pacote de sanções que apresentei ao Conselho após longas horas de negociações”, anunciou Josep Borrell, falando numa conferência de imprensa em Paris, após uma reunião informal convocada de urgência na véspera para discutir a imposição de sanções à Rússia.

Vincando que “este é um momento particularmente perigoso para a Europa”, o Alto Representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança apontou que este pacote de sanções “atingirá a Rússia e atingirá muito”.

“Estamos em forte coordenação com os nossos parceiros, Estados Unidos, Reino Unido e Canadá, com os quais tenho estado em estreito contacto durante estas horas”, afirmou Josep Borrell, ameaçando “aumentar o nível de sanções substancialmente consoante o comportamento russo”.

Em concreto, as sanções hoje aprovadas abrangem 27 indivíduos e entidades e 350 membros da câmara baixa do parlamento russo (Duma), como a Lusa já tinha avançado.

No que toca às sanções financeiras, prevêem-se restrições às relações económicas da UE com as duas regiões separatistas, de Donetsk e Lugansk, bem como o congelamento de bens de dois bancos privados russos, especificou Josep Borrell.

Falando na ocasião em representação da presidência francesa do Conselho da UE, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros destacou que “a situação é grave ou muito grave”, razão pela qual “os 27 Estados-membros chegaram a um acordo” sobre o pacote de sanções.

A reunião informal dos chefes da diplomacia europeia realizou-se após uma reunião organizada pela Presidência francesa sobre as relações da União e os países da região Indo-Pacífico.

Segue-se agora uma reunião dos embaixadores dos Estados-membros junto da UE, para o aval final do pacote de sanções, ainda hoje.

A posição da UE surge após o Presidente russo, Vladimir Putin, ter assinado, na segunda-feira à noite, um decreto que reconhece as autoproclamadas repúblicas de Lugansk e de Donetsk, no Donbass (leste da Ucrânia), e de ter ordenado a mobilização do exército russo para “manutenção da paz” nestes territórios separatistas pró-russos.

A decisão de Putin foi condenada pela generalidade dos países ocidentais, que temiam há meses que a Rússia invadisse novamente a Ucrânia, depois de ter anexado a península ucraniana da Crimeia em 2014.

Em 2014, a Rússia anexou a península ucraniana da Crimeia, depois da queda do Governo pró-russo em Kiev, e elaborou um referendo sobre o regresso do território à Federação Russa. Desde então, Kiev está em conflito com separatistas pró-russos no leste do país.

A guerra no leste da Ucrânia entre as forças de Kiev e milícias separatistas fizeram até ao momento mais de 14 mil mortos, de acordo com as Nações Unidas.

Parlamento russo aprova pedido de Putin para enviar tropas para estrangeiro

A câmara alta do Parlamento russo aprovou hoje o pedido do Presidente para envio de militares russos para o estrangeiro, após Vladimir Putin se ter comprometido com assistência militar aos separatistas pró-russos na Ucrânia.

Após um debate de urgência, o senado aprovou este pedido por unanimidade dos 153 membros.

O Presidente russo, Vladimir Putin, tinha horas antes pedido autorização para usar forças militares fora do país, uma medida que torna formal um destacamento militar russo para as regiões rebeldes e que pode permitir um ataque mais amplo à Ucrânia.

Vários líderes europeus disseram no início do dia que tropas russas se deslocaram para áreas detidas pelos rebeldes no leste da Ucrânia, depois de Putin ter reconhecido a independência das autoproclamadas repúblicas de Donetsk e Lugansk.

A Casa Branca começou a referir-se aos destacamentos de tropas russas no leste da Ucrânia como uma “invasão” depois de inicialmente hesitar em usar o termo – uma ‘linha vermelha’ que o Presidente Joe Biden disse que resultaria na imposição de sanções severas contra Moscovo pelos EUA.

“Pensamos que este é, sim, o início de uma invasão, a invasão da Rússia à Ucrânia”, disse Jon Finer, conselheiro principal de segurança nacional.

Mas enquanto os EUA claramente lhe chamaram uma invasão, alguns outros aliados ocidentais não veem exatamente assim.

“As tropas russas entraram em Donbas”, região onde estão localizadas as duas ‘repúblicas’ separatistas, que “consideramos parte da Ucrânia”, disse em Paris o chefe da política externa da UE, Josep Borrell.

Numa distinção que pode complicar uma resposta europeia e ocidental, Borrell acrescentou: “Não diria que (é) uma invasão completa, mas as tropas russas estão em solo ucraniano”.

Durante semanas, as potências ocidentais têm-se preparado para uma invasão, com a Rússia a reunir cerca de 150.000 tropas junto à fronteira com a vizinha Ucrânia.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse hoje que a Rússia reconheceu a independência das regiões rebeldes “nas fronteiras que existiam quando proclamaram” a sua independência em 2014, o que inclui áreas que foram retomadas pelas forças ucranianas e estão actualmente sob o controlo de Kiev.

A acção de Putin ao reconhecer a independência destes territórios abriu-lhe a porta para formalizar o seu domínio e enviar forças, embora a Ucrânia e os seus aliados ocidentais tenham acusado as tropas russas de lutarem ali há anos, alegações que Moscovo nega.

NATO espera ataque russo em larga escala e prepara forças militares

A NATO espera um ataque em larga escala da Rússia na Ucrânia e colocou a sua força de reacção rápida em alerta para defender os países aliados, anunciou hoje o secretário-geral da Aliança.

“Tudo sugere que a Rússia está a planear um ataque maciço na Ucrânia”, depois de enviar tropas para os territórios separatistas pró-russos de Donbass, no leste do país, disse Jens Stoltenberg após uma reunião extraordinária da comissão NATO-Ucrânia, na sede da Aliança, em Bruxelas.

Reino Unido impõe sanções a três oligarcas e cinco bancos russos

O Reino Unido anunciou hoje sanções contra três oligarcas conhecidos por serem próximos do Presidente russo, Vladimir Putin, e contra cinco bancos russos, em retaliação ao reconhecimento de Moscovo das regiões separatistas de Lugansk e Donetsk, no leste ucraniano.

Os multimilionários visados são Gennady Timchenko, Boris Rotenberg e o sobrinho deste último, Igor Rotenberg, revelou o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, no Parlamento.

Johnson avisou ter outras sanções “prontas” para serem introduzidas juntamente com os Estados Unidos e a União Europeia (UE) se o conflito continuar a escalar.

“Esta é a primeira parcela, a primeira carga do que estamos preparados para fazer e temos mais sanções prontas para serem impostas”, afirmou.

O pacote de sanções foi anunciado depois de uma reunião de emergência de ministros e altos funcionários, realizada hoje de manhã, no chamado comité de segurança Cobra.

A ministra dos Negócios Estrangeiros, Liz Truss, adiantou também que o embaixador da Rússia no Reino Unido, Andrei Kelin, foi chamado “para explicar a violação do direito internacional pela Rússia e o desrespeito à soberania da Ucrânia”.

O chefe do Governo britânico disse aos deputados antecipar uma “longa crise” na Ucrânia tendo em conta que Putin ordenou o envio de tropas para alegadas operações de “manutenção da paz” nas regiões de Donetsk e Lugansk.

“Não posso dizer o que acontecerá nos próximos dias, mas devemos esperar uma longa crise”, disse Boris Johnson.

Reconhecimento de separatistas visa criar base legal para invasão – Kiev

O Presidente ucraniano alertou hoje que o reconhecimento da independência de regiões separatistas no leste da Ucrânia pela Rússia visa criar uma base legal para uma nova agressão e exigiu a suspensão imediata do gasoduto russo-alemão.

“Com esta decisão, a Federação Russa cria uma base legal para uma nova agressão armada contra o Estado da Ucrânia”, disse Volodymyr Zelensky em Kiev, durante uma conferência de imprensa conjunta com o Presidente da Estónia, Alar Karis.

O Presidente russo, Vladimir Putin, assinou, na segunda-feira à noite, um decreto que reconhece as regiões separatistas de Lugansk e de Donetsk, no Donbass (leste), e ordenou a entrada das forças armadas russas naqueles territórios ucranianos numa missão de “manutenção da paz”.

Zelensky considerou que a decisão de Putin constitui “um novo acto de agressão contra a Ucrânia” e exigiu uma resposta “imediata e decisiva” da comunidade internacional através de sanções contra Moscovo.

“Estas sanções devem incluir o encerramento completo do Nord Stream 2”, disse, numa alusão ao gasoduto que permitirá transportar gás russo directamente para a Alemanha, que está em fase de licenciamento.

O antigo chanceler social-democrata alemão Gerhard Schroeder, que é amigo de Vladimir Putin, está ligado ao projeto do gasoduto, pertencente à empresa estatal russa Gazprom.

Zelensky admitiu também que a Ucrânia poderá cortar relações diplomáticas com a Rússia.

“Recebi um pedido do Ministério dos Negócios Estrangeiros para considerar a questão da ruptura das relações diplomáticas entre a Ucrânia e a Rússia. Imediatamente após a conferência de imprensa, irei trabalhar sobre esta e outras questões”, disse.

Zelensky apelou novamente à Rússia para que aceite dialogar e disse que Kiev se tinha disponibilizado para resolver todos os diferendos com Moscovo através de negociações em “qualquer formato de diálogo em que a Federação Russa estivesse presente”.

“Recebemos a resposta e essa resposta veio ontem [segunda-feira]. A Ucrânia deve responder a isto, defendendo a soberania e o nosso Estado”, acrescentou Zelensky, citado pela agência ucraniana Ukrinform.

ND com Lusa

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