O candidato da extrema-direita às eleições presidenciais do Brasil Jair Bolsonaro declarou-se hoje vencedor da votação, assumindo-se como seguidor dos “ensinamentos de Deus” e reafirmando a vontade de mudar o destino do Brasil.

“Somos declarados vencedores desse pleito, seguindo ensinamento de Deus”, disse Jair Bolsonaro, no primeiro discurso depois de ser eleito 38.º Presidente da República Federativa do Brasil, através de um vídeo partilhado na sua página do Facebook.

O capitão do Exército na reserva, candidato pelo Partido Social Liberal (PSL), afirmou que existem “condições de governabilidade” e agradeceu ao povo brasileiro, a quem apelou “vamos juntos cumprir a nossa missão”.

“Vamos juntos mudar o destino do Brasil”, apelou, na mesma intervenção.

Mais tarde, Bolsonaro prometeu ainda que o seu Governo “será um defensor da Constituição, da democracia e da liberdade”.

“Faço de vocês minhas testemunhas de que este Governo será um defensor da Constituição, da democracia, e da liberdade. Isso é uma promessa, não de um partido, não é uma palavra vã de um homem, é um juramento a Deus”, afirmou o candidato (Partido Social Liberal, extrema-direita) às eleições presidenciais do Brasil, numa declaração à imprensa à porta da sua casa, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.

Bolsonaro com mais 11 milhões de votos que Haddad

 

O candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro (PSL), eleito hoje Presidente do Brasil, soma mais 11 milhões de votos do que o candidato do PT, Fernando Haddad, quando estão 96,27% das secções de voto apuradas.

Segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral, que começaram a ser divulgados às 19:00 locais (22:00 em Lisboa), Jair Bolsonaro soma 56.188.851 votos (55,49%), contra os 45.066.535 votos (44,51%) de Fernando Haddad (PT, esquerda).

Com estes resultados, Jair Bolsonaro sucede a Michel Temer como 38.º Presidente da República Federativa do Brasil.

Capitão do exército reformado e defensor da ditadura militar – regime que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985 -, Jair Messias Bolsonaro nasceu a 21 de março de 1955 (63 anos) e iniciou a carreira política como uma figura caricata de posições extremas e discursos agressivos em defesa da autoridade do Estado e dos valores da família cristã.

Chamado de “mito” e “herói” pelos seus apoiantes e de “perigo à democracia” por críticos e adversários, Jair Bolsonaro está na política brasileira há 28 anos e foi eleito deputado (membro da câmara baixa) sete vezes consecutivas, mas sem nunca ter ocupado um cargo importante no Parlamento.

Bolsonaro ganhou notoriedade nos últimos anos e transformou-se num líder capaz de mobilizar milhares de eleitores desiludidos com a mais severa recessão económica da história do Brasil, que eclodiu entre os anos de 2015 e 2016, ao mesmo tempo em que as lideranças políticas tradicionais do país têm sido envolvidas em escândalos de corrupção.

Fernando Haddad pede coragem: “Não vamos deixar este país para trás”

O candidato presidencial do Partido dos Trabalhadores (PT, esquerda) Fernando Haddad afirmou hoje que os mais de 45 milhões de eleitores que votaram na sua candidatura presidencial, derrotada nas urnas, “têm outro projeto de Brasil na cabeça” e apelou à “coragem” do povo nos próximos quatro anos.

Fernando Haddad falava em São Paulo, minutos depois de Jair Bolsonaro, o candidato da extrema-direita (PSL), ter feito o discurso da vitória, como 38.º Presidente da República Federativa do Brasil, eleito este domingo na segunda volta da eleição presidencial, com mais 11 milhões de votos que o candidato do PT.

“Talvez o Brasil nunca tenha precisado mais do exercício da cidadania do que agora. Eu coloco a minha vida à disposição deste país, tenho a certeza que falo por milhões de pessoas”, afirmou Haddad, numa intervenção de cerca de oito minutos, durante a qual nunca se referiu Jair Bolsonaro.

“A soberania nacional e a democracia como nós a entendemos é um valor que está acima de todos nós. Nós temos uma nação, nós temos que defendê-la daqueles que de forma desrespeitosa pretendem usurpar o nosso património, o património do povo brasileiro”, disse ainda Fernando Haddad.

 

[Notícia atualizada às 00:57]

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