A Itália vai ter eleições antecipadas em 25 de setembro, como solução para a crise provocada pela demissão de Mario Draghi como primeiro-ministro de um Governo de coligação fragilizado pelo abandono de três partidos.

A data foi proposta pelo demissionário primeiro-ministro e a sua ministra do Interior, Luciana Lamorgese, em reunião do Conselho de Ministros, e comunicada ao Presidente, Sergio Mattarella, que havia já decretado o fim da actual legislatura, de acordo com a agência italiana ANSA.

Draghi e a ministra do Interior comunicaram a data acordada ao chefe de Estado, a quem compete emitir um segundo decreto com a convocatória.

A decisão da antecipação das eleições foi tomada pelo Presidente, que anunciou a dissolução do Parlamento, eleito em março de 2018, e o fim da legislatura, oito meses antes do previsto.

Os líderes do Senado e da Câmara dos Deputados Maria Elisabetta Alberti Casellati e Roberto Fico, respectivamente, deslocaram-se ontem à tarde ao Palácio do Quirinal (em Roma), a sede da Presidência italiana, para marcar o início do processo da dissolução antecipada das duas câmaras do parlamento, como previsto no artigo 88.º da Constituição italiana.

O encurtamento desta legislatura é o epílogo da demissão de Draghi, que continua no cargo até à formação do novo Governo.

O chefe de Estado – que já aceitara com relutância um segundo mandato, em janeiro, devido ao clima de confronto político – pediu aos dirigentes políticos que pensem no país, na fase que se segue.

“Espero que, na intensa e por vezes aguda dialética da campanha eleitoral, todos dêem uma contribuição construtiva no melhor interesse da Itália”, pediu o Presidente, para o período de campanha que antecede as eleições marcadas para 25 de setembro.

Draghi presidiu a uma coligação de unidade nacional, nos últimos 17 meses, desde fevereiro de 2021, quando foi indicado para gerir a crise da pandemia de covid-19 e a recuperação económica do país, após a queda do seu antecessor, Giuseppe Conte, líder do Movimento Cinco Estrelas (M5S), que agora esteve na base da actual crise política.

A coligação foi apoiada por praticamente todos os partidos com assento parlamentar, da esquerda à extrema-direita, excepto pelo movimento Irmãos da Itália, de extrema-direita, de Giorgia Meloni.

Na semana passada, Draghi anunciou que não queria continuar a governar sem o apoio do M5S, quando este partido se absteve numa primeira moção de confiança.

Nessa altura, Mattarella rejeitou o pedido de renúncia e pediu a Draghi para tentar novas soluções políticas, com o devido apoio no Parlamento.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro venceu uma segunda moção de confiança, mas perdeu o apoio de três dos partidos que apoiavam a sua coligação – o M5S; o Forza Italia, de Silvio Berlusconi, e a Liga, de Matteo Salvini – o que justificou uma nova visita ao Presidente, para lhe reiterar o pedido de demissão.

Perante este cenário, a Itália prepara-se para uma campanha eleitoral atípica, pois é a primeira a ter lugar em pleno verão, e que se prevê também curta, intensa e muito dura, sobretudo devido ao intenso confronto entre os partidos, com vínculos muito desgastados após esta conturbada legislatura.

RJP/PDF (SCA) // PDF

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