A protetor holds a banner reading 'This is the image of my people. Carry the voice of the Iranians' as she stands in front of riot police during a demonstration in support of Iranian protesters in Paris, on September 25, 2022. (Photo by Christophe ARCHAMBAULT / AFP)

Os protestos no Irão pela morte de Mahsa Amini causaram já pelo menos 41 mortos e 1.186 detidos após nove dias, enquanto o Governo mobilizou hoje milhares de cidadãos em marchas contra os manifestantes que pedem mais liberdades.

Nove dias depois da morte de Amini, após ser detida pela polícia da moralidade por usar o véu obrigatório no país alegadamente de forma errada, parece que os protestos estão a acalmar, mas é difícil analisar a situação, dadas as restrições impostas pelo Governo à internet e à informação.

As redes móveis são cortadas à tarde e à noite, e a situação da internet fixa piorou com operadoras como a Mobinnet a ter “apagões“, explicou a NetBlocks, uma plataforma que estuda a censura ‘online’.

O Comité para a Protecção dos Jornalistas relatou a prisão de pelo menos 18 jornalistas nos últimos dias.

As autoridades não informam o número de mortos, mas a televisão estatal iraniana afirmou que já são 41.

Quanto ao número de detidos, também não há dados oficiais completos.

O procurador da cidade de Sari, Mohamad Karimi, denunciou hoje a prisão de 450 “desordeiros” na província nortenha de Mazandaran.

Com outros 736 detidos na província de Guilan, o número de detenções conhecidas sobe para 1.186.

Hoje, o Governo iraniano mobilizou milhares de cidadãos em todo o país em marchas contra os protestos por causa de Amini.

Iranian pro-government protesters hold pictures of Supreme Leader Ayatollah Ali Khamenei during a rally against the recent anti-government protests in Iran, in Tehran, on September 25, 2022. (Photo by AFP)

Estes manifestantes exibiram cópias do Alcorão, bandeiras iranianas e fotos do líder supremo Ali Khamenei em Teerão, onde marcharam cantando “morte ao manifestante” e “morte ao insurrecto”, mas também os habituais “morte à América” e “morte a Israel”, que acusam de estarem por detrás dos protestos. Defenderam ainda a aplicação da lei com ‘slogans’ de apoio à polícia e ao líder Khamenei.

As marchas repetiram-se nas principais cidades do país, como Shiraz, Isfahan, Hamedan, Bandar Abas, Qom, Rasht, Ghazvin e até em Sanandaj, capital do Curdistão iraniano, de onde Amini era originária.

Hoje é o segundo dia de marchas pró-Governo, desde que os protestos devido à morte de Amini começaram, na sexta-feira, dia 16.

Entretanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão convocou os embaixadores britânico, Simon Shercliff, e norueguês, Sigvald Hauge, após os protestos no país, avançou a agência de notícias Efe.

Segundo a Efe, o embaixador britânico foi convocado em protesto contra a divulgação de notícias pelos órgãos de comunicação social do Reino Unido em relação à morte da jovem Mahsa Amini nas instalações policiais.

Women hold up signs depicting the image of 22-year-old Mahsa Amini, who died while in the custody of Iranian authorities, during a demonstration denouncing her death by Iraqi and Iranian Kurds outside the UN offices in Arbil, the capital of Iraq’s autonomous Kurdistan region, on September 24, 2022. (Photo by SAFIN HAMED / AFP)

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão também convocou o embaixador norueguês por comentários de “ingerência” do presidente do Parlamento, Masud Gharahjani, sobre os protestos no Irão, através da rede social Twitter.

Mahsa Amini, 22 anos, foi detida pela chamada “polícia de moralidade” de Teerão, capital do Irão, onde se encontrava de visita, por alegadamente trazer o véu de forma incorrecta e transferida para uma esquadra com o objectivo de assistir a “uma hora de reeducação”.

A jovem acabou por entrar em coma e morrer dias depois no hospital.

RCS (CCM) // CSJ

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