Japanese Prime Minister Shinzo Abe (C) bows in front of the Memorial Cenotaph after delivering a speech during the 75th anniversary memorial service for atomic bomb victims at the Peace Memorial Park in Hiroshima on August 6, 2020. - Japan on August 6, 2020 marked 75 years since the world's first atomic bomb attack, with the COVID-19 coronavirus pandemic forcing a scaling back of annual ceremonies to commemorate the victims. (Photo by Philip FONG / AFP)
O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, no Memorial Cenotaph, nos 75 anos de Hiroshima, 06.08.2020 – FOTO: Philip FONG / AFP

Hiroshima assinalou hoje (06) o 75.º aniversário do bombardeamento atómico da cidade japonesa, com o autarca da cidade a criticar o Governo Japonês por se recusar a assinar o tratado de proibição de armas nucleares.

O apelo foi feito pelo presidente da Câmara de Hiroshima, Kazumi Matsui, a cerca de 800 pessoas reunidas no Parque da Paz da cidade, entre as quais primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e sobreviventes do ataque nuclear contra a cidade a 06 de Agosto de 1945.

Há precisamente 75 anos, em Hiroshima, às 08:15, hora local, era lançada a primeira bomba atómica em cenário de Guerra, pelo bombardeiro norte-americano Enola Gay. A bomba tinha o nome de código “Little Boy”, três metros de comprimento, 71 cm de largura e uma potência equivalente a 13 quilotoneladas de TNT, provocando a morte a 140.000 pessoas.

Três dias depois, os Estados Unidos lançaram, a 09 de agosto de 1945, uma segunda bomba atómica sobre Nagasaki, à capitulação do Japão e ao fim da Segunda Guerra Mundial.

“Apelo ao Governo japonês para que atenda ao apelo do Hibakusha [pessoas afectadas pela explosão] para assinar, ratificar e tornar-se parte do Tratado de Proibição de Armas Nucleares”, disse o presidente da câmara.

O tratado foi aprovado na ONU a 07 de Julho de 2017 por 122 estados membros, mas para que entre em vigor precisa de ser ratificado por pelo menos 50 nações, e até agora apenas 40 o fizeram.

O Japão, tal como as potências nucleares, ficou de fora desta iniciativa, que adere ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear, que restringe a posse de armas atómicas e que entrou em vigor há meio século após ter sido assinado pela grande maioria das nações do mundo, incluindo o Japão.

Um visitante reza pelas visitas de Hiroshima no dia em que se assinalam 75 anos do lançamento da primeira bomba atómica em cenário de Guerra – FOTO: Philip FONG / AFP

Estes dois tratados, sublinhou o autarca, são “instrumentos críticos para eliminar as armas nucleares”.

“Agora, mais do que nunca, os líderes mundiais devem reforçar a sua determinação para que este quadro legal funcione eficazmente”, insistiu, perante as cerca de 800 pessoas, um décimo dos participantes que assistiram no ano passado à cerimonia, que desta vez teve de ser reduzida devido ao risco de propagação da covid-19.

O presidente da câmara de Hiroshima falou após a apresentação de oferendas de flores num memorial relativa à tragédia a que se seguiu um momento de silêncio enquanto um sino tocava, na mesma hora em que a bomba caiu sobre Hiroshima.

Numa mensagem posterior, o primeiro-ministro japonês evitou qualquer conversa sobre o Tratado de Proibição de Armas Nucleares, mas disse que o seu país lutará “com tenacidade” para alcançar um mundo livre de armas nucleares.

Do domingo será a vez de se assinalar o 75.º aniversário Nagasaki.

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