Os advogados de um procurador de Manhattan que procura obter as declarações fiscais do Presidente dos Estados Unidos justificaram a um juiz a sua intenção com documentos sobre “uma extensa e prolongada conduta criminosa da Organização Trump”.

Os advogados do Presidente norte-americano tinham considerado no mês passado que a intimação judicial para a entrega das declarações fiscais tinha sido feita com má-fé e era uma manifestação de assédio a Trump.

O procurador do distrito de Manhattan, Cyrus R. Vance, Jr., quer consultar as declarações fiscais de Trump enquanto pessoa e da organização empresarial homónima, mas pouco divulgou sobre os seus motivos, além de que parte da investigação está relacionada com pagamentos feitos a várias mulheres para comprar o seu silêncio sobre relações com Trump.

Nos argumentos entregues ao tribunal, os advogados de Vance afirmaram que os argumentos de Trump que consideravam a intimação demasiado geral partiam da “premissa falsa” que a investigação estava limitada àqueles pagamentos.

“Este tribunal já está ciente que esta asserção está fatalmente atingida pela informação não contestada existente no domínio público”, escreveram.

Acrescentaram também que a informação pública demonstra que na altura em que a intimação foi emitida “havia alegações públicas sobre possível actividade criminosa na Organização Trump, baseada no condado de Nova Iorque, há mais de uma década”.

Os advogados acentuaram ainda que “estas alegações descrevem transacções envolvendo indivíduos e representantes empresariais baseados no condado de Nova Iorque, mas com uma conduta que vai além das fronteiras de Nova Iorque”.

O juiz Victor Marrero foi assim instado a rejeitar os argumentos de Trump, com os advogados do procurador a considerarem que as suas argumentações infundadas visavam comprometer a investigação.

Marrero, que já decidiu contra Trump no ano passado, tinha exigido que as partes lhe apresentassem os seus argumentos até meados de agosto.

“Todo o dia que passa é mais um dia que (Trump) consegue de facto a ‘imunidade absoluta temporária’ que já foi rejeitada por este Tribunal, pelo tribunal de Recurso e pelo Supremo Tribunal”, consideraram os advogados da Procuradoria.

“Todo o dia que passa aumentam a possibilidade de perda de provas ou da expiração de prazos – a preocupação específica mencionada pelo Supremo Tribunal quando rejeitou a consideração de que Trump estava acima da lei”.

O Supremo Tribunal rejeitou em julho a consideração dos advogados de Trump de que este não podia ser investigado criminalmente enquanto estivesse no cargo.

Vance já disse que os registos fiscais são parte da prova do que fez o então advogado pessoal de Trump, Michael Cohen, durante as eleições presidenciais de 2016 nos EUA, para obter o silêncio da atriz porno Stormy Daniels e do modelo Karen McDougal sobre casos extra maritais com Trump. Casos estes cuja existência Trump negou.

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