O presidente da Associação dos Veteranos da Invasão da Baía dos Porcos, Lopez de la Cruz, durante uma entrevista à Lusa no âmbito da eleição presidencial, em Little Havana, Miami, Estados Unidos, 19 de outubro de 2020. (ACOMPANHA TEXTO DO DIA 20 DE OUTUBRO). MÁRIO CRUZ/LUSA

O presidente dos veteranos cubanos envolvidos no desembarque da Baía dos Porcos em 1961 prevê que Donald Trump vá intensificar, num segundo mandato, as sanções económicas contra Cuba ou Venezuela, apesar de afastar uma intervenção militar àqueles países.

“Trump não defende invasões e não quer conflito nenhum. Na realidade está a acabar com os conflitos no mundo. Seria uma loucura para os Estados Unidos uma aventura dessas em Cuba ou na Venezuela”, disse à Lusa o coronel José Lopes de la Cruz, 80 anos, e que desembarcou na Baía dos Porcos, Cuba, integrado na Brigada 2506 formada pela CIA para derrotar Fidel Castro em 1961.

O dirigente Associação de Veteranos da Brigada 2506 que, após o desembarque falhado em Cuba, integrou as Forças Armadas norte-americanas tendo cumprido duas missões de combate na Guerra do Vietname, defende o incrementar de sanções económicas contra “a ditadura de Havana”.

“As organizações patrióticas de exilados cubanos aqui em Miami veem com agrado quase todas as semanas a implementação de um novo tipo de sanção fazendo cada vez mais pressão contra os três regimes: de Cuba, Venezuela e Nicarágua”, diz o oficial militar na reforma que aguarda mudanças, “um dia”, em Havana e que, por isso, apoia Donald Trump na reeleição como chefe de Estado norte-americano.

Lopes de la Cruz reuniu-se no mês passado na Casa Branca com Donald Trump a quem demonstrou apoio nas eleições de novembro.

Para o dirigente dos veteranos do desembarque de 1961, a “mudança” em Cuba pode surgir de cisões na cúpula do regime, alterações provocadas por “uma nova geração de militares” ou o que pode ser “muito grave”, receia, por um “levantamento popular” devido à fome.

O presidente da Associação dos Veteranos da Invasão da Baía dos Porcos, Lopez de la Cruz, durante uma entrevista à Lusa no âmbito da eleição presidencial, em Little Havana, Miami, Estados Unidos, 19 de outubro de 2020. MÁRIO CRUZ/LUSA

No exterior, nomeadamente em Miami, não há um “governo sombra” formado por exilados, mas os “organismos políticos”, frisa, estão preparados para apoiar os cubanos do “interior” em caso de queda do poder.

O voto “latino” na Florida representa cerca de 20% do eleitorado a que se juntam as fortes comunidades das Caraíbas originárias do Haiti e da Jamaica.

Os exilados cubanos, sobretudo os mais idosos, demonstram mais preocupações sobre medidas para “a luta contra o comunismo” do que com questões como a crise sanitária que se acentua com cada vez mais gravidade no estado da Florida provocando igualmente graves problemas económicos.

A distância entre a Florida e Cuba é de pouco mais de 500 quilómetros sendo que a comunidade cubana tem vindo a crescer nas últimas décadas em virtude, sobretudo, do “agravamento da situação económica e política” no país de origem.

Em Miami os cubanos esperam mudanças e acreditam que a situação só se pode alterar com o apoio de Washington e, por isso, demonstram apoio em Donald Trump que recentemente em Miami apelou ao voto cubano, nicaraguense e venezuelano ao chamar “socialista” ao candidato presidencial do Partido Democrata, Joe Biden.

Na sede da associação de veteranos é visível material de campanha de apoio a Donald Trump, misturado com propaganda anticomunista além do espólio directamente ligado ao desembarque na Baía dos Porcos organizado pela CIA, de que se destacam armas ligeiras, uniformes, artefactos pessoais dos elementos da brigada e a bandeira da primeira companhia de cubanos exilados que desembarcou em Cuba no dia 17 de abril de 1961.

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